Morte de espião encontrado em mala 'não tem explicação', conclui inquérito

Corpo de Gareth Williams foi achado em 2010 dentro de uma maleta na banheira do apartamento onde morava, em Londres

BBC Brasil |

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AP
O espião britânico Gareth Williams, cujo corpo foi encontrado em 2010
Uma investigação sobre a morte de um funcionário do MI6 (serviço secreto britânico) que foi encontrado dentro de uma mala em seu apartamento não conseguiu identificar a causa do falecimento, informaram nesta quarta-feira as autoridades britânicas.

Segundo a investigadora-chefe do caso, Fiona Wilcox, é "improvável" que a morte do espião do MI6 Gareth Williams "seja explicada de forma satisfatória".

Na conclusão do inquérito, que ouviu mais de 40 testemunhas em sete dias, ela disse que "a maioria das perguntas fundamentais sobre como Gareth morreu continuam sem resposta".

O corpo de Williams, que era especialista em decifrar códigos e tinha 31 anos, foi encontrado nu, trancado dentro de uma mala, na banheira do apartamento onde ele morava, em Londres, em 2010.

Não foram encontradas impressões digitais ou indícios de que outra pessoa pudesse ter estado no local.

Envenenamento ou asfixia

Três patologistas que examinaram o corpo de Williams não conseguiram chegar a uma conclusão sobre as causas da morte, mas dizem que envenenamento ou asfixia são as mais prováveis. O estado de decomposição do corpo teria dificultado o trabalho.

O inquérito ouviu que o MI6 só comunicou a polícia sobre o desaparecimento do agente após uma semana. Além disso, investigadores também afirmaram não ter analisado alguns dos bens de Williams, como cartões de memória de computador, porque seus chefes no serviço secreto disseram que eles eram irrelevantes.

A família de Williams disse acreditar que ele foi morto por um agente "especializado nas artes obscuras do serviço secreto".

O inquérito analisou a possibilidade de que a morte tivesse sido parte de um jogo sexual. Foram encontradas no apartamento de Williams roupas femininas avaliadas em dezenas de milhares de dólares. Havia indícios de que ele frequentava websites de sadomasoquismo e de que havia se filmado semi-nu, além de já ter sido encontrado amarrado a uma cama.

Apesar de especulações de que Williams pudesse ter feito tudo sozinho, um especialista disse que "até mesmo o mágico Harry Houdini" teria dificuldades para se trancar dentro da sacola de viagem de 81 cm por 48 cm. Especialistas disseram que, se estivesse vivo quando entrou na mala, Williams teria sufocado em três minutos.

A inspetora-chefe das investigações, Jackie Sebire, também acredita que outra pessoa estaria envolvida na morte. "Acredito que outra pessoa estava envolvida e peço às pessoas que tenham consciência e que venham a nós para que possamos encontrar algumas respostas nesse caso e dar alguma paz à família (de Williams)", disse Sebire.

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