Eleições francesas serão 'referendo' do governo de Sarkozy

Segundo pesquisa, 63% dos eleitores que dizem votar em rival do presidente afirmam que motivo é evitar reeleição

BBC Brasil |

selo

As eleições presidenciais francesas, que começam no próximo domingo, podem ser vistas como um referendo sobre a gestão do presidente Nicolas Sarkozy, o líder com o menor índice de popularidade na França nas últimas décadas. Apenas um terço dos franceses aprova sua gestão, o índice mais baixo desde o início da chamada Quinta República, no final da década de 1950.

Segundo pesquisa do instituto CSA, 63% dos eleitores que dizem votar no seu principal opositor, o candidato socialista, François Hollande, afirmam que a principal razão dessa escolha é evitar que Sarkozy seja reeleito.

Leia também: Candidatos disputam votos de 11 milhões de franceses indecisos

AFP
O presidente francês e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, deixa estúdio de rádio em Paris

Apesar disso, as pesquisas também indicam que a disputa entre o atual presidente e o rival será acirrada no primeiro turno, que será realizado neste domingo, dia 22.  A maioria das enquetes aponta para uma leve vantagem de 2 a 3,5 pontos percentuais para o socialista.

Já nas pesquisas de opinião sobre o provável segundo turno, marcado para 6 de maio, a distância entre os dois aumenta consideravelmente. A vantagem de Hollande passa para até 14 pontos percentuais.

Ênfase na personalidade

O candidato socialista baseou boa parte de sua campanha em duras críticas não só aos resultados do mandato de Sarkozy, mas também em relação à personalidade do presidente. "A sensação nestas eleições é de que os eleitores vão julgar mais os candidatos do que seus programas. Esta campanha está mais concentrada no indivíduo", disse à BBC Brasil Madani Cheurfa, secretário-geral do Centro de Estudos da Vida Política Francesa (Cevipof, na sigla em francês).

Apesar do favoritismo, Hollande suscita, na avaliação do analista político, um "entusiasmo moderado" no eleitorado. "Parte de seus votos é devido ao sentimento de rejeição em relação a Sarkozy", afirma.

Hollande nunca exerceu um cargo de governo e foi chamado, por membros de seu próprio partido, de "mole". O candidato é considerado por alguns um político sem grandes convicções nem carisma.

A gestão de Sarkozy é bastante criticada na França e por todos os candidatos, sobretudo em relação às suas promessas de aumentar o poder aquisitivo da população e reduzir o desemprego, que explodiu para quase 10% em razão da crise econômica.

O estilo do presidente também é severamente criticado por seus rivais na campanha. Analistas estimam que ele não conseguiu mudar, junto a boa parte do eleitorado, a imagem extravagante que transmitiu no início de seu governo, relacionada a seu gosto pelos artigos de luxo e suas amizades com as grandes fortunas do país.

Esse sentimento de rejeição em parte da opinião pública, reforçado também por seus discursos que visam atrair o eleitorado da extrema direita, é definido pela imprensa e por políticos como "antisarkozysmo".

"O antisarkozysmo é um fenômeno da elite parisiense", declarou recentemente a primeira-dama Carla Bruni, sugerindo que o presidente seria apreciado pelas classes populares.

A candidata do Partido Verde, a juíza Eva Joly - que atuou em grandes escândalos de corrupção no país - chegou a fazer um "Sarkô tour" acompanhada de jornalistas, uma visita guiada a locais que ela considera "emblemáticos" da vida política de Sarkozy, como um restaurante de luxo onde ele celebrou sua vitória em 2007.

Confiança

Apesar das pesquisas desfavoráveis, Sarkozy afirmou, em uma entrevista ao jornal conservador Le Figaro nesta sexta-feira, que "recomenda a todos os observadores aguardarem tranquilamente os resultados do primeiro turno". "Não tenho dúvidas de que haverá surpresas", disse Sarkozy.

Os jornais franceses afirmam que alguns colaboradores do presidente já teriam se resignado com sua eventual derrota. Mas Sarkozy espera liderar o primeiro turno com um avanço significativo em relação a Hollande, o que criaria, segundo o presidente, uma dinâmica mais favorável para o segundo turno.

"As pesquisas atuais sobre o segundo turno representam mais uma relação de força (entre Hollande e Sarkozy). São referendos a favor ou contra o Sarkozy", diz o analista político Roland Cayrol. "As verdadeiras intenções de voto do segundo turno surgirão com base nos resultados de 22 abril. Será uma nova eleição", diz ele, sugerindo que se Sarkozy obtiver um bom resultado no primeiro turno, pode tentar reverter a tendência das atuais pesquisas em relação à votação final.

    Leia tudo sobre: eleição na françasarkozyhollandefrança

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG