Candidatos disputam votos de 11 milhões de franceses indecisos

Segundo pesquisas, número de indecisos neste ano é o maior do que o registrado nas eleições de 2007

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A três dias do primeiro turno das eleições presidenciais na França , no domingo, os dois principais candidatos - o socialista François Hollande e o presidente Nicolas Sarkozy - disputam os votos de mais de ao menos 11 milhões de eleitores indecisos, que poderão influenciar o resultado da votação.

Saiba mais: Conheça os candidatos nas eleições presidenciais da França

AP
Presidente francês e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy discursa durante evento de campanha em Saint Maurice
Segundo pesquisas divulgadas na terça-feira, entre 26% e 35% dos eleitores (até 15,5 milhões de pessoas) ainda não sabem em quem vão votar ou podem mudar de candidato. O número de indecisos - principalmente jovens e pessoas de baixa renda - é maior do que o registrado no mesmo período das eleições de 2007, diz Brice Teinturier, diretor-geral do instituto de pesquisas Ipsos.

"Esses indecisos vão determinar a ordem de classificação dos candidatos, e ajustes importantes ainda podem ocorrer até o dia 22", afirma. O Ipsos vem acompanhando um painel fixo de eleitores há seis meses e revela que 48% deles mudaram de candidato nesse período.

Pesquisas

Segundo a última pesquisa do Ipsos, Hollande e Sarkozy devem empatar no primeiro turno. Cada um tem 27% das intenções de voto. Nas últimas pesquisas de diferentes institutos divulgadas na terça e quarta-feira, Sarkozy lidera em duas delas, com um ponto percentual à frente do rival. Mas o socialista está à frente em quatro outras pesquisas (dos institutos BVA, Sofres, CSA e LH2), com vantagem de dois a quatro pontos percentuais em relação a Sarkozy.

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Os dois candidatos têm estratégias diferentes para convencer os indecisos e tentar assegurar a dianteira no primeiro turno.

Sarkozy tenta passar a ideia de "salvador" no período de crise econômica e sugere que a França sofrerá ataques especulativos do mercado se a esquerda vencer. Ele tenta também seduzir os eleitores da extrema direita com um discurso mais radical sobre temas como a imigração.

Hollande prefere lançar apelos para o "voto útil" - uma clara referência aos eleitores do candidato da extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon , em terceiro lugar em algumas pesquisas, que soma entre 12% e 15% dos votos. "Todos os que querem mudanças devem me dar, já no primeiro turno, os meios para ganhar", disse Hollande em um comício no último domingo.

Para convencer os indecisos, militantes do partido socialista também adotaram uma estratégia inédita na França: ir às casas das pessoas. Segundo o partido, eles já bateram à porta de 3 milhões de eleitores e esperam totalizar 5 milhões de visitas nos próximos dias.

Segundo turno

Todas as pesquisas eleitorais dos últimos meses apontam para a derrota de Sarkozy no segundo turno, em 6 de maio. A diferença chega a até 16 pontos percentuais atrás do rival socialista, como indica a pesquisa CSA.

Para vencer, Sarkozy só teria uma saída: ganhar mais eleitores da extrema direita e centristas. Eles representam sua única "reserva" de votos potenciais no segundo turno. A esquerda reunida soma, no primeiro turno, cerca de 46% dos votos.

Contudo, no segundo turno, ela se torna majoritária em todas as projeções - dando uma possível vitória a Hollande com até 58% dos votos. Na avaliação de analistas, isso significa que parte do eleitorado tradicional da direita francesa votaria em Hollande em razão de uma rejeição a Sarkozy - o presidente com o menor índice de popularidade das últimas décadas.

Além de disputar os indecisos, os candidatos tentam também convencer os que não têm planos de votar (na França, o voto não é obrigatório). As eleições coincidem com o período de férias escolares e os partidos fazem campanha para que as pessoas ausentes deixem procurações, o que é permitido pela lei eleitoral francesa. Os partidos se oferecem até para que a procuração seja feita em nome deles, caso o eleitor não tenha a quem pedir para votar em seu lugar.

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