Conheça os candidatos nas eleições presidenciais da França

Franceses vão às urnas domingo para eleger o novo presidente do país; Sarkozy tem de derrotar Hollande para se reeleger

BBC Brasil |

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Os franceses irão às urnas neste domingo para a eleição presidencial de 2012 , que deve entrar para a história do país como a mais ferrenha disputa pelo poder em muitas décadas.

Nicolas Sarkozy pode se tornar o primeiro presidente francês a não se reeleger para um segundo mandato desde Valery Giscard d'Estaing, em 1981.

Divididas em dois turnos, as eleições ocorrem nos dias 22 de abril e 6 de maio. Assim como no Brasil, se o candidato obtiver mais de 50% dos votos no primeiro turno, não haveria o segundo. Mas isso nunca ocorreu na chamada 5ª República, que começou com o Charles de Gaulle em 1958.

Conheça os principais candidatos à presidência francesa:

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Sarkozy discursa em evento de campanha em Paris (17/4)
Nicolas Sarkozy

Eleito presidente em 2007 com 6% a mais de votos do que sua rival, a socialista Ségolène Royal, o líder conservador enfrenta dessa vez um desafio diferente, e na opinião de analistas, mais difícil, na pessoa de François Hollande.

Os cinco anos na Presidência não foram fáceis para o sucessor de Jacques Chirac. Sarkozy havia prometido um novo começo para a França com seu partido UMP (Union pour un Mouvement Populaire). Políticas sociais radicais - como a medida que em 2010 elevou a idade de aposentadoria de 60 para 62 anos - incomodaram a esquerda no país. Ao mesmo tempo, supostos aliados se ressentiram com o estilo do líder.

Em suas memórias, o ex-presidente Jacques Chirac criticou Sarkozy por ser "irritável, áspero, confiante demais e por nunca permitir qualquer dúvida, especialmente no que se refere a ele próprio". Porém, o maior obstáculo que Sarkozy pode enfrentar na eleição é o desempenho da economia francesa, que sofreu um abalo em janeiro, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor's reduziu a nota de crédito da França de AAA para AA+.

Ao pedir o voto dos eleitores, Sarkozy argumenta que tem os atributos necessários para lutar contra a crise econômica. Após o rebaixamento da nota de crédito do país, no entanto, esse argumento parece menos convincente.

Dados pessoais: Nascido em 28 de janeiro de 1955, criado em Paris, casado com a ex-modelo Carla Bruni.

Frase famosa: "Não serei o candidato de uma pequena elite contra o povo".

Propostas: Redução da cota legal de imigração para a França "de 180 mil para 100 mil" por ano. Arrecadar 3 bilhões de euros ao corrigir falhas em leis que regulam o pagamento de impostos sobre lucros ganhos por grandes empresas. E remover regra que exige que candidatos presidenciais obtenham assinaturas de oficiais eleitos.

AP
Fraçois Hollande fala a eleitores em Lille, no norte da França (17/4)
François Hollande

Apesar de sua experiência como articulador no partido Socialista, François Hollande nunca ocupou um cargo político nacional na França.

Ele é tido por muitos como um moderado afável, cujo estilo calmo e quieto contrasta com a intensidade e o glamour do presidente atual. Entretanto, por trás da imagem modesta está uma determinação de aço de liderar o país, na opinião de seus aliados.

Para ser escolhido como candidato, Hollande passou por difíceis eleições primárias, que testaram ao limite suas credenciais políticas e pessoais.

Jacques Chirac descreveu-o como um "verdadeiro estadista", capaz de cruzar as fronteiras que separam os partidos. Alguns analistas veem Hollande como um pobre substituto para o carismático ex-diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, excluído da corrida pela presidência por escândalos sexuais no ano passado.

Um ex-ministro socialista, Claude Allegre, chocou aliados ao apoiar a candidatura de Sarkozy e rejeitar a de Hollande dizendo que ele é indeciso e "não está à altura do posto" de líder nacional. Dúvidas em relação às suas habilidades políticas ressurgiram após ele ter anunciado seu plano de cobrar imposto de 75% sobre a renda dos cidadãos mais ricos da França.

Dados pessoais: Nascido em 12 de agosto de 1954 na cidade de Rouen, no noroeste da França. Foi casado com Ségolène Royal, com quem teve dos filhos.

Frase famosa: "Quero colocar a mágica de volta no sonho francês".

Propostas: Estabelecer uma cota anual para imigrantes econômicos após consultas com empregadores. Obrigar os que ganham 1 milhão de euros ou mais a pagar 75% de imposto sobre renda. E fazer ajustes fiscais na União Europeia para estimular o crescimento econômico.

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A candidata de extrema direita Marine Le Pen
Marine Le Pen

Filha de Jean-Marie Le Pen, fundador do principal partido da extrema direita francesa, o FN (Frente Nacional), Marine está levando o partido a novas direções. Ela dividiu a opinião pública com seus ataques à imigração ilegal e à suposta "islamização" da França. A candidata também enfatizou a oposição do FN ao euro e defendeu políticas protecionistas.

Le Pen tem se esforçado para livrar o partido de sua imagem xenófoba e declarou sua objeção ao termo "extrema direita", que, segundo ela, marginaliza um grupo que regularmente atrai 15% dos eleitores em eleições nacionais. Sua dificuldade para angariar o apoio dos parlamentares, exigido por lei, foi alvo de diversas reportagens na mídia francesa.

Dados pessoais: Nascida em 5 de agosto de 1968 em Neuilly-sur-Seine, onde Nicolas Sarkozy viveu quando criança, ela é a mais jovem das três filhas de Jean-Marie Le Pen.

Frase famosa: "Uma União Soviética Europeia" (termo que ela usou para descrever a União Europeia).

Propostas : Reduzir a cota anual de imigração para 5% do índice atual.

Criar um novo Ministério do Interior, Imigração e Secularismo

Abandonar o euro e restaurar as moedas nacionais da União Europeia

AP
O candidato de centro François Bayrou fala a partidários em Marselha, sul da França
François Bayrou

Figura conhecida de centro na política francesa, François Bayrou chocou o establishment da França em 2007 ao levar quase um quinto dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais.

Seus aliados o veem como um defensor dos fazendeiros da França e o candidatos mais pró-Europa do país. Críticos o acusam de arrogância e oportunismo e chamam atenção para sua aparente incapacidade de formar alianças políticas duradouras.

Embora não haja expectativa de que Bayrou chegue ao segundo turno, é possível que dessa vez ele desempenhe um papel decisivo sobre o segundo dia de votação - já que prometeu apoiar um dos candidatos caso não chegue à segunda fase.

Dados pessoais: Nascido em 25 de maio de 1951 perto de Lourdes, católico praticante e homem de família. Em viagens pela França fazendo campanha, sempre quer saber onde fica a igreja local nas cidades que visita.

Frase famosa: "Somos a civilização que se recusa a responsabilizar os fracos pelas más escolhas dos fortes"

Propostas: Fazer mais para reconhecer as conquistas dos imigrantes. Sanar as finanças públicas com cortes de 50 bilhões de euros em gastos e gerar 50 bilhões a partir de novas fontes de renda. Fazer com que escolas primárias dediquem 50% do tempo de ensino à língua francesa.

EFE
Jean-Luc Mélenchon tem apoio do Partido Comunista (12/4)
Jean-Luc Mélenchon

Militante socialista durante décadas, Jean-Luc Mélenchon está concorrendo em nome da coalizão de esquerda, que tem o apoio do Partido Comunista.

Fez carreira no Partido Socialista e foi ministro de Educação Vocacional no governo Lionel Jospin. Rompeu com o partido em 2008 para formar o Parti de Gauche (Partido da Esquerda), inspirado nos movimentos de esquerda na América Latina e na longa história de radicalismo da França. Ele se diz inspirado em líderes latino-americanos como Lula, Rafael Correa, Cristina Kirchner e Hugo Chávez.

Defende uma "revolução do cidadão", com a descentralização do poder e nacionalização da indústria em uma nova "Sexta República". Mélenchon é o único representante do Partido da Esquerda no Parlamento Europeu. Diz acreditar que a União Europeia foi arruinada pelo "liberalismo econômico".

É conhecido por não gostar de jornalistas, preferindo expressar suas ideias, profusamente, em seu próprio blog.

Dados pessoais: Nascido no Marrocos em 19 de agosto de 1951, cresceu na Normandia e em Jura. Ainda adolescente, participou da revolta estudantil de 1968, é membro orgulhoso da maçonaria desde 1983.

Frase famosa: "Que se vão todos", título do seu livro, lançado em 2010.

Propostas: "Imigração não é um problema" (manifesto). Respeitar rigorosamente o secularismo. Manter o euro, mas rever as prioridades da UE e aumentar o controle sobre o Banco Central Europeu

EFE
A ambientalista Eva Joly em debate de TV no canal France 2 (11/4)
Eva Joly

A candidata do Partido Verde foi manchete na França após supostamente receber um projétil de revólver e cartas ameaçadoras de ultranacionalistas.

Joly nasceu em 5 de dezembro de 1943 na Noruega. Foi para a França aos 20 anos como au pair (ocupação temporária de estudantes como babá, em casas de família), casou-se e seguiu carreira em Direito, tornando-se juíza.

O Partido Verde fez um pacto com os socialistas para ganhar mais assentos no Parlamento em troca de apoio a François Hollande no segundo turno da eleição presidencial.

Também na Disputa

Nicolas Dupont-Aignan que, assim como Villepin, um ex-membro do UMP que formou seu próprio partido, Debout la République.

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Nathalie Arthaud, que representa o partido trotskista Lutte Ouvrière (Luta Operária).

Philippe Poutou, que representa o Nouveau Parti Anticapitaliste (Novo Partido Anticapitalista).

Quase na Disputa

Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro no governo do presidente Jacques Chirac e arquirrival de Sarkozy, não conseguiu obter as 500 assinaturas de oficiais eleitos requeridas por lei para que pudesse concorrer.

Corinne Lepage, com uma plataforma ambientalista, também não obteve as assinaturas.

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