Levou algum tempo para conseguirmos decifrar a cena em frente de nós. Um carcereiro da prisão Rusafa, em Bagdá, tinha acabado de abrir a porta pesada de metal.

Dentro de uma sala com pouca iluminação, a primeira visão foram os beliches de metal, um perto do outro com sacos plásticos, roupas e toalhas pendurados.

Olhando para nós dos beliches, caras e mais caras, barbadas, sem barba, ficando carecas, ficando cinzas.

Depois disso, entramos em uma sala maior e em todos os cantos havia um ser humano.

Quatro ou cinco homens empoleirados em um beliche, alguns até deitados no chão debaixo das camas.

Foi a primeira vez que a mídia estrangeira teve acesso tão amplo a uma prisão iraquiana desde o início da invasão americana, em 2003.

Nós fomos levados para a prisão por autoridades do Ministério do Interior iraquiao, após termos pedido para verificar alegações de abusos e espancamentos em prisões iraquianas.

Para nossa surpresa, a segunda mais alta autoridade do ministério disse que poderíamos ver a situação com nossos próprios olhos.

Dentro da prisão pudemos conversar livremente com os prisioneiros sem ter as conversas monitoradas.

"Nós temos um problema de superlotação", admite o general Abdul Karim al-Khalaf, o comandante de operações do Ministério do Interior.

"E o número crescente de prisioneiros está gerando muita pressão sobre o sistema."
Ele diz que ainda existem alguns "casos isolados" de violações, como torturas e espancamentos nas prisões, mas insiste que a cultura está mudando.

A forma com que os detentos são forçados a viver na prisão é culpa da "situação excepcional" no país, segundo Al-Khalaf, que ressaltou que as condições não são "desumanas".

"Se você visse as prisões na época de Saddam Hussein aí teria visto condições verdadeiramente desumanas."

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