BBC Brasil recebe imagens exclusivas de área atacada no Sri Lanka

A BBC Brasil recebeu com exclusividade imagens da área no nordeste do Sri Lanka que teria sido alvo de bombardeios do Exército do país no fim de semana. A ONU afirma que houve um banho de sangue em uma área sob controle dos rebeldes do grupo Tigres de Libertação da Pátria Tâmil na região.

BBC Brasil |

Fontes médicas afirmam que cerca de 430 pessoas morreram durante ataques do Exército cingalês.

As fotos recebidas pela BBC Brasil foram enviadas pelo Escritório de Coordenação Ajuda Humanitária da ONU (OCHA) no Sri Lanka. As imagens foram passadas ao OCHA por um agente de saúde que trabalha na região. Ele preferiu não ser identificado.

As fotos mostram crianças gravemente feridas carregadas por adultos, além de vários feridos, entre crianças e adultos, esperando ajuda deitados no chão. Fontes médicas afirmam que os hospitais improvisados na área estão lotados e não conseguem mais oferecer assistência médica apropriada.

"Devido ao grande número de civis feridos trazidos ao hospital, não temos mais condições de oferecer serviços a todos os pacientes", disse o agente, que pediu anonimato. "Muitos dos civis ficam sem tratamento por mais de 24 horas. Mais de 50% dos funcionários de saúde não estão comparecendo ao trabalho devido aos ataques."
O ataque teria ocorrido em uma área de aproximadamente três quilômetros quadrados onde estão confinados cerca de 50 mil civis. De acordo com a fonte médica, os bombardeios foram "terríveis" e houve centenas de civis mortos e outras centenas de feridos.

"Será difícil saber ao certo quantos inocentes morreram no último final de semana. Primeiro, porque nós não temos acesso a área", disse Gerson Brandão, brasileiro que chefia o Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU no Sri Lanka. "Segundo, porque muitos serão enterrados, ou cremados (seguindo a tradição hindu), sem que qualquer registro seja feito".

Brandão revelou que, segundo suas fontes, pelo menos 113 crianças morreram nos ataques do fim de semana.

"É quase impossível imaginar onde encontrar segurança em um campo de batalha, sobretudo, com uma densidade populacional tão grande. Esse é o desafio cotidiano de muitos aqui", declarou Brandão.

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