Paris, 14 mai (EFE).- O ex-ativista de esquerda radical italiano Cesare Battisti disse preferir o suicídio à extradição, perante o temor de que a Justiça brasileira lhe entregue à Itália e não conceda o status de refugiado político nos próximos dias, segundo afirma em entrevista publicada hoje na revista Paris Match.

"Sempre pensei no suicídio como uma decisão absurda, nunca a considerei como um ato de coragem", declarou Battisti na prisão.

"Agora visualizo isso como uma possibilidade. Não quero deixar os outros, a Justiça italiana e o Governo italiano decidir sobre minha própria morte", completou.

O ex-ativista, que se encontra perto de Brasília em um setor especial do presídio de Papuda destinado a ex-policiais, foi condenado à revelia à prisão perpétua por uma corte de Milão, no norte da Itália.

Battisti, de 54 anos, fez parte do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço das Brigadas Vermelhas muito ativo na Itália na década dos 70 que foi acusado de diversos atentados.

Em 1990 obteve refúgio na França, foi julgado à revelia em seu país em 1993 e fugiu de Paris em 2004, depois que as autoridades francesas anunciaram sua disposição a entregá-lo à Itália.

Após ser capturado no Brasil, a Itália pediu sua extradição, mas em janeiro passado o Governo lhe concedeu o status de refugiado político, à espera de que a Suprema Corte brasileira confirme a decisão.

Battisti sempre negou ser culpado dos quatro assassinatos dos que é acusado.

"Não nego todos os delitos dos que me acusam, mas nunca matei.

Fiz parte de uma organização armada, participei de operações de autofinanciamento (...) e fiz tudo o que foi necessário para manter uma organização armada com muitos clandestinos", apontou. EFE inmg/rrr

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