Batalha entre Obama e Hillary tem novo round em Indiana e Carolina do Norte

Paco G. Paz Washington, 5 mai (EFE).

EFE |

- A luta sem fim pela candidatura democrata travada por Hillary Clinton e Barack Obama chega amanhã aos estados americanos de Indiana e Carolina do Norte, sem que nenhum dos dois acredite poder superar em pouco tempo a inércia em que a batalha se encontra.

A esta altura do processo, todos os observadores dão como certo que os dois pré-candidatos democratas à Casa Branca esgotarão as prévias que ocorrerão até 3 de junho, o que deixará nas mãos dos superdelegados - escolhidos automaticamente por seus cargos ou posições no partido - a decisão de escolher o candidato.

Até o momento, o senador por Illinois leva a vantagem quanto ao número de delegados, 1.745 frente aos 1.606 de sua rival, mas não em "superdelegados", categoria em que Hillary vence com 269 contra os 254, segundo dados do site Real Clear Politics.

Além disso, as pesquisas revelam uma posição cada vez mais próxima entre os dois pré-candidatos. Na Carolina do Norte, considerada até há pouco um território favorável a Obama, cada vez as distâncias são mais curtas, e agora Hillary lhe segue a apenas sete pontos.

Em Indiana, é cada vez mais clara a liderança da ex-primeira-dama. Até pouco tempo, as pesquisas apontavam para um completo empate, mas agora o quadro mudou, com uma vantagem de quase seis pontos de Hillary em relação a Obama.

Os ataques estão em alta em nível nacional, principalmente nestes dois Estados, onde os dois políticos estão debatendo seus programas de Governo e trocando suas acusações com maior fúria e intensidade do que em dias anteriores.

Com o preço do petróleo atingindo máximas históricas, e a economia tentando evitar a recessão, os dois senadores se atacaram hoje, acusando um ao outro de estar afastado da realidade e de ser pouco sensível às necessidades da população.

No auge da discussão se encontra a proposta de Hillary - curiosamente compartilhada com o candidato republicano, John McCain - de suspender o imposto da gasolina durante o meio do ano, a época de maior consumo no país, e de compensar impondo novas taxas às petrolíferas.

"Quero que as companhias petrolíferas paguem neste verão (do hemisfério norte) US$ 8 bilhões, ao invés de tirar este dinheiro do bolso dos consumidores e dos motoristas", disse a senadora hoje, em entrevista à cadeia "CBS".

Obama, entretanto, considera que o plano de Hillary não tem nenhuma chance de prosperar, e assegura que é contraproducente e que seu único objetivo é ganhar a simpatia da classe trabalhadora.

Em seguida, a ex-primeira-dama o acusou de ser insensível, algo que o senador negou imediatamente.

"Entendo o quanto o povo está sofrendo. Porém, se quisermos ser sérios, que lhe demos um alívio, ao invés de fingir que estamos fazendo algo ao sugerir que sejam retirados os impostos da gasolina.

Todos sabemos que é muito pouco provável que o presidente Bush tome esta decisão", apontou Obama em comunicado.

Os dois também trocaram acusações por causa das declarações feitas há poucos dias pela senadora por Nova York, que disse que, como presidente, "aniquilaria" o Irã, caso o país asiático atacasse Israel com armas nucleares.

Embora Hillary tenha posteriormente alterado suas palavras, Obama a acusou hoje de usar a mesma linguagem que George W. Bush, e de ser capaz de provocar graves incidentes internacionais caso chegue à Casa Branca.

No meio da intensa batalha por Indiana e Carolina do Norte, os dois pré-candidatos à Presidência sabem que ainda há um longo caminho a percorrer, e que as primárias de amanhã não serão definitivas.

Hillary prometeu em várias ocasiões se manter na batalha até a convenção de seu partido em agosto, caso seja necessário, e quer convencer os superdelegados de que ela tem muito mais possibilidades que Obama de vencer John McCain.

Neste sentido, uma vitória em Indiana lhe daria muito mais argumentos para atrair os superdelegados.

Embora as pesquisas lhe favoreçam, a campanha de Hillary não quis antecipar uma vitória neste estado.

Obama, porém, não é partidário de prolongar a batalha para além das últimas primárias, marcadas para 3 de junho, data na qual quer que os superdelegados que ainda não se pronunciaram digam que candidato preferem, com a esperança de que seja ele.

"Eu serei o escolhido", disse hoje à cadeia "NBC". EFE pgp/bm/gs

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