Batalha contra Aids está longe de acabar, diz Bill Clinton em conferência

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton advertiu, nesta segunda-feira, que a batalha contra a Aids está longe de acabar, em um discurso recebido com entusiasmo pelos milhares de participantes do primeiro dia da Conferência de Internacional sobre Aids, no México.

Redação com AFP |

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A batalha está longe de acabar, diz Clinton
"A Aids é um grande dragão. O dragão mitológico foi morto por São Jorge, o primeiro cavaleiro em brilhante armadura, mas aquele dragão (a Aids) deve ser morto por milhões e milhões de soldados a pé", disse o político, que dirige a Fundação Clinton de Luta contra a Aids e a Malária.

A intervenção do ex-presidente era uma das mais esperadas de toda a conferência, na esperança de que seu carisma e influência façam pressão para conseguir o acesso universal aos medicamentos anti-HIV.

Clinton se uniu às demonstrações de preocupação expressas nos discursos de inauguração.

"Sabemos que ainda há tanto por fazer: para ampliar a prevenção, o tratamento e o cuidado, para consolidar sistemas de saúde subdesenvolvidos, para integrar a luta contra a Aids com problemas convergentes de tuberculose, malária e outras doenças infecciosas", enumerou.

"Atualmente, há 1,4 milhão de pessoas com Aids que estão utilizando os tratamentos comprados pela Fundação Clinton (...) Graças aos esforços dos nossos sócios, (os tratamentos) custam cerca de 120 dólares por ano", completou.

Acesso universal

A 17ª Conferência Internacional sobre Aids abriu hoje os trabalhos no México com a preocupação de especialistas e líderes com a ameaça de frustração da meta de acesso universal ao tratamento fixada para 2010.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon advertiu que a maioria dos países "tem ainda um longo caminho a percorrer" para alcançar a universalidade da prevenção, tratamento, atenção e apoio em relação ao HIV antes de 2010.

Segundo o secretário, o não cumprimento da meta sobre Aids "terá conseqüências nas atividades destinadas a reduzir a pobreza e a melhorar a nutrição, assim como na redução da mortalidade infantil, abalando também os trabalhos destinados a melhorar a saúde materna, a frear a propagação da malária e da tuberculose, e fortalecer os sistemas de saúde".

Na América Latina, a cobertura com anti-retrovirais alcança 62% dos quase dois milhões de infectados, o mais alto índice entre as regiões emergentes.

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Mulher passa por cartaz da conferência na Cidade do México/Foto:AFP

Vários tratamentos

Especialistas reunidos no México também insistiram hoje na necessidade de "prevenções combinadas" para evitar a doença, assim como num "conjunto de tratamentos", as triterapias, para atacá-la.

"É essencial combinar as intervenções mais que basear-se num só enfoque", destacou Geoffrey Garnett, professor de epidemiologia do Imperial College de Londres, na primeira sessão plenária da semana.

Além da circuncisão, o preservativo, as seringas de uso único, a prevenção inclui a mudança de hábitos sexuais, como a redução do número de parceiros ou atrasar o início da vida sexual para depois dos 15 anos.

Nos corredores da conferência, militantes americanos lamentavam que o novo programa americano Pepfar não financie uma prevenção "completa e flexível", mediante a integração da prevenção contra o vírus nos sistemas de planejamento familiar.

"Apenas 20% das pessoas que vivem com o vírus sabem que são portadores", observou Alex Coutinho, diretor do Instituto ugandês de enfermidades infecciosas.

A 17ª Conferência Internacional sobre a Aids foi oficialmente aberta na noite de domingo, na Cidade do México, dando início a seis dias de discussões sobre temas científicos, sociais, religiosos e políticos ligados à pandemia, que já atinge 33 milhões de pessoas, em todo o planeta.

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