Cartum, 11 nov (EFE).- O presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, advertiu hoje que o conflito de Darfur, no oeste do Sudão, pode estender-se à vizinha região petrolífera de Kurdufán, e pediu enfrentamento aos inimigos do país.

Em discurso em , na província de Kurdufán do Norte, Bashir disse que "os inimigos" se infiltraram no sul do Sudão, mas o acordo de paz, assinado entre o Governo central e os rebeldes dessa zona, "lhes fechou as portas; por isso se dirigiram a Darfur, arruinada pela guerra desde 2003".

Bashir referia-se ao pacto assinado entre o Executivo e os insurgentes do sul em 9 de janeiro de 2005, pondo fim a 21 anos de uma guerra que causou a morte de dois milhões de pessoas entre o norte muçulmano e o sul cristão animista.

Por outro lado, o presidente sudanês responsabilizou os "inimigos ocidentais" de seu Governo pelo conflito em Darfur.

"Nós não aceitamos a humilhação, nem o desprezo, nem tememos a morte, porque somos netos de que enfrentaram a morte em Karrari, onde morreram 12 mil mártires em uma hora", afirmou Bashir.

Ele fazia alusão à batalha travada em 1898 entre os seguidores do autoproclamado Imã al Mahdi, Mohamad Ahmad, e as forças coloniais britânicas, no norte de Cartum.

O presidente também criticou ao procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, que acusou de servir aos "interesses ocidentais".

Ocampo, por seu vez, acusou Bashir de crimes de guerra e genocídio, e solicitou aos juízes, em 14 de julho, que emitissem uma ordem de detenção para que ele possa ser capturado e julgado no tribunal de Haia.

A acusação está vinculada ao papel de Bashir na guerra de Darfur, que explodiu em fevereiro de 2003, matando cerca de 300 pessoas e obrigando 2,5 milhões a abandonar seus lares, segundo a ONU.

Em 15 de outubro, os juízes da câmara preliminar do TPI pediram à procuradoria "material adicional" antes de decidir se emitem uma ordem de detenção contra Al Bashir. A procuradoria tem prazo até 17 de novembro para apresentar a documentação.

O conflito de Darfur explodiu quando os grupos rebeldes dessa região se levantaram em armas para protestar contra a pobreza e marginalização da região, na fronteira com o Chade. EFE az/jp

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