Bashir afirma que Sudão não terá ONGs internacionais em um ano

O Sudão vai substituir dentro de um ano todas as ONGs internacionais ativas em Darfur, palco da mais importante missão de ajuda no mundo, por organizações locais, declarou segunda-feira o presidente Omar al-Bashir, dando um novo passo em seu desafio ao Ocidente,

AFP |

"Eu disse aos dirigentes dos Assuntos Humanitários que em um ano não queremos mais nenhuma organização de ajuda estrangeira trabalhando em território sudanês com nossos cidadãos e que as organizações locais devem desempenhar este papel", declarou o presidente sudanês.

Al-Bashir disse que deseja uma nacionalização do trabalho humanitário, principalmente em Darfur. "Se as organizações estrangeiras quiseram enviar ajuda, elas devem entregá-la no aeroporto", acrescentou, sem detalhar seu projeto nem indicar se ele será também aplicado no Sudão do Sul.

"Trata-se de um processo em andamento", declarou em seguida o ministro para Assuntos Humanitários, Ahmed Haroun, afirmando não estar em condições de responder às questões técnicas sobre os propósitos do presidente.

Omar al-Bashir fez as declarações em Cartum diante de milhares de militares que foram garantir "seu apoio até a morte" ao presidente do Sudão, país cujas relações estão muito tensas com o Ocidente.

A Corte Penal Internacional (CPI) emitiu em 4 de março uma ordem de prisão contra o presidente sudanês por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Darfur, região ocidental vítima de um conflito complexo que já matou 300.000 pessoas segundo a ONU, e 10.000 segundo Cartum.

O Sudão reagiu expulsando 13 das mais importantes ONGs internacionais ativas em Darfur, entre elas a britânica Oxfam, a americana Care e as seções francesa e holandesa da Médicos Sem Fronteiras (MSF).

As ONGs em Darfur distribuem alimentos, fornecem cuidados e água potável a mais de 2,7 milhões de desabrigados e dezenas de milhares de outras pessoas afetadas pelos combates.

A ONU calculou em mais de um milhão as pessoas prejudicadas pela expulsão das ONGs, número que deve aumentar ainda mais de as 70 ONGs internacionais ainda ativas em Darfur tiverem de fazer suas malas.

Cartum publicou uma lista de 19 ONGs sudanesas para substituir as organizações expulsas e o ministério da Saúde garantiu que enviaria 100 médicos a Darfur e medicamentos.

A ONU lançou um pedido de fundos de 2,2 bilhões de dólares para o Sudão em 2009, em grande parte destinada a Darfur.

gl/lm/fp

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