Bases dos EUA na América Latina lembram Guerra Fria, diz assessor de Lula

Em visita ao Brasil, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general Jim Jones, ouviu do governo brasileiro que a existência de bases militares americanas na Colômbia não contribui para a distensão das relações na região e que parecem resquícios da Guerra Fria.

BBC Brasil |


"Expressei nossa percepção de que bases estrangeiras na região parece um pouco como resquício da Guerra Fria", disse o assessor de assuntos internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia, logo após encontro com o general americano.

O acordo militar entre EUA e Colômbia, que ainda está em fase de negociação, poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

Ainda segundo o relato de Garcia sobre a conversa, Jones teria reconhecido que faltou um "esclarecimento prévio" sobre os objetivos da nova parceria militar com a Colômbia.

"Houve um reconhecimento de que o assunto foi mal encaminhado e que talvez tivesse sido mais oportuno do governo americano, e aí podemos incluir o colombiano, um esclarecimento prévio que pudesse dissipar todas as dúvidas", disse Garcia.

Jones teria dito ao assessor brasileiro que o objetivo do acordo militar com a Colômbia é "humanitário" e de combate ao narcotráfico.

A discussão sobre o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia deve continuar à noite, durante jantar na Embaixada americana. Ainda nesta terça-feira, Jones se encontra com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. A agenda continua nesta quarta-feira, com o chanceler Celso Amorim.

Cordial

Garcia descreveu a conversa como "cordial" e afirmou que a equipe do presidente Barack Obama deixou uma "excelente impressão". "Dissemos o seguinte: não desperdicem esta opinião favorável que existe no continente em relação ao governo Obama", disse o assessor do Palácio do Planalto.

Durante a conversa, Garcia também teria dito a Jones que "a Guerra Fria acabou" e que a região "está passando por um processo de revolução democrática pacífica muito grande".

"Chamei atenção para o fato de que não se tratava de nenhuma posição ideológica de nossa parte", acrescentou. Garcia disse ainda que existe, da parte dos Estados Unidos, uma "preocupação" em relação aos países amigos, "de saber a opinião".

O assunto também será discutido com o lado colombiano. Nesta quinta-feira, o presidente Álvaro Uribe chega ao Brasil para conversar pessoalmente com o presidente Lula sobre diversos assuntos, entre eles o acordo militar com os Estados Unidos.

"O Uribe teve a sensibilidade para se dar conta de que o clima na região não está bom", disse Garcia. Segundo o assessor brasileiro, a vista do presidente colombiano é "um gesto de humildade positivo".

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