Bases colombianas adiam definição da Declaração de Quito

Quito, 9 ago (EFE).- O acordo militar negociado entre Colômbia e Estados Unidos sobre o uso de bases militares, ao qual se opõem Equador, Venezuela e Bolívia, levou os chanceleres da Unasul a adiar a definição da Declaração de Quito que será levada à cúpula de presidentes do organismo.

EFE |

Os chanceleres sul-americanos estão reunidos em Quito para aprontar a ata final que será aprovada na Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), na qual o Equador assumirá a Presidência pro tempore do organismo, em um cenário marcado pelas tensões bilaterais com a Colômbia.

Participaram da reunião de Quito os chanceleres da Bolívia, Peru, Argentina, Equador, Chile, Venezuela e Paraguai, assim como delegados do Brasil, Uruguai, Colômbia, Suriname e Guiana.

A reunião de chanceleres se prolongou além do previsto com um debate onde também figuram vários assuntos internos da Unasul, como a tentativa de desbloquear a escolha de seu secretário-geral, o que não estava na agenda.

De forma paralela, os chanceleres da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), integrada pela Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua, Honduras, Dominica, Barbuda e Antígua e São Vicente e Granadinas, se reuniram na mesma sede com fins similares aos da Unasul e também a portas fechadas.

Outros dos assuntos internos discutidos pelos chanceleres da Unasul são a criação de um Conselho de Energia, outro sobre luta contra o narcotráfico e um adicional sobre políticas sociais.

Por enquanto, o único chanceler que rompeu o silêncio perante os jornalistas foi o da Venezuela, Nicolás Maduro, que destacou o fato de que a reunião de Unasul aconteça na capital equatoriana, em um momento em que este país lembra o bicentenário do Primeiro Grito da Independência colonial.

Em 10 de agosto de 1809 os patriotas de Quito proclamaram a Independência, mas essa sacudida, "mais que em um grito se transformou na vontade e no espírito da maioria de nossos povos para conquistar sua independência, sua soberania, seu direito de existir", assinalou Maduro.

O chanceler assegurou que a Unasul dará em sua reunião de Quito "novos passos" em direção a sua consolidação, mas aproveitou para atacar a decisão colombiana de ampliar o acordo militar com Washington, que inclui a possibilidade de que soldados dos EUA usem, de forma conjunta, sete bases em território da Colômbia.

"É uma grande bofetada no povo colombiano, em primeiro lugar", disse Maduro, que não duvidou em qualificar a possibilidade do pacto de Bogotá com Washington como "uma falta de respeito" aos libertadores e à comemoração do bicentenário da Independência.

"Os povos têm direito de se defender (...), nós temos o profundo direito de garantir ao povo da Venezuela a estabilidade e a paz que gozamos" apontou o chanceler venezuelano.

Também acusou certos grupos poderosos da América, especialmente dos EUA, de pretender "dinamitar", a nascente união dos sul-americanos.

Hoje mesmo o presidente da Bolívia, Evo Morales, em outro ato em Quito, se referiu também às bases colombianas e advertiu que os EUA as querem usar contra os "processos revolucionários" que estão nascendo na América.

Precisamente, a Bolívia colocou que a Unasul aprove uma resolução para que o organismo proíba a instalação de bases militares estrangeiras na região.

Por sua parte, os chanceleres da Alba discutiram hoje a situação criada pela decisão da Colômbia, sobre a restituição da democracia em Honduras e a devolução da Presidência desse país ao deposto Manuel Zelaya.

"A Alba discutirá uma ação muito mais efetiva para conseguir isso em que redundamos, que é a restauração da democracia em Honduras", disse o chanceler equatoriano, Fander Falconi, após afirmar: "para nós, o único presidente legítimo (de Honduras) é o presidente Zelaya".

Quase nesse mesmo sentido se pronunciou a Unasul ao condenar o golpe de Estado contra Zelaya, que se encontra no Equador para participar amanhã da segunda posse do presidente Rafael Correa. EFE fa/ma

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