Barreiras protegem centro de Bangcoc de enchentes, mas não periferia

Piores cheias em 50 anos devastaram um terço do país desde julho, deixando 381 mortos e 110 mil desalojados

iG São Paulo |

Protegida por centenas de milhares de sacos de areia empilhados na altura do ombro na periferia da cidade, a maior parte da capital da Tailândia, Bangcoc, permaneceu seca neste domingo, afastando temores de que a metrópole fosse engolida pelas águas das monções.

AP
Bicho de pelúcia flutua sobre a água de bairro inundado em Bangcoc, Tailândia
Mas ao longo das barreiras antienchente, que circundam a cidade e são patrulhadas por soldados e policiais 24 horas por dia, há uma mistura de alívio e ressentimento. “Espero que a barreira se rompa", disse Seksan Sonsak, um trabalhador de fábrica de 43 anos. Seksan, como milhões de outros tailandeses, encontrou-se do lado errado da proteção.

As piores cheias em 50 anos devastaram um terço desse país do sudeste da Ásia, deixando 381 mortos e 110 mil desalojados num período de três meses - sendo 10 mil deles em Bagcoc, de acordo com dados do governo. A catástrofe impediu que centenas de milhares trabalhem e causou danos de bilhões de dólares - conta que cresce a cada dia.

Com custo econômico que deve ultrapassar os US$ 6 bilhões, o desastre começou no fim de julho com o transbordamento de rios e pântanos do norte e na região central, por causa das intensas chuvas de monção e de três tempestades tropicais seguidas. O número de afetados pelas inundações gira em torno de 2,5 milhões. Destes, cerca de 700 mil receberam atendimento médico pelas infecções e outras doenças contraídas por contato e consumo de água contaminada.

Segundo o governo, a situação no entorno de Bangcoc deve melhorar nos próximos dias. Embora a maior parte dos distritos do centro de Bangcoc tenha escapado, por enquanto, das inundações, extensas áreas ao norte e ao leste com alta densidade populacional ficaram alagadas pela tromba d'água que desce em direção ao mar e pelo transbordamento do rio Chao Phraya nas proximidades da metrópole.

A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, falou após a reunião do gabinete de crise que, embora seja provável que ocorram inundações em outras áreas da capital, não serão tão graves como as das províncias vizinhas, nas quais a altura da água chegou a três metros.

Yingluck pediu calma à população de Bangcoc e condenou a destruição de diques de proteção por moradores irritados pela gradual elevação do nível de água em seus bairros. "É preciso ter paciência. Acreditamos que a situação melhore a partir da segunda-feira", disse.

Na semana passada, a primeira-ministra declarou que por até um mês as áreas do entorno de Bangcoc ficariam alagadas pelo enorme volume de água que descia a partir do planalto central em direção ao golfo da Tailândia e pelo transbordamento do rio Chao Phraya.

Menos otimista se mostrou o governador da capital, Sukhumbhand Paribatra, que advertiu ser cedo para falar em fim dos riscos, especialmente em todos os distritos situados às margens do rio.

Segundo informações da imprensa local, 1 milhão dos 12 milhões de habitantes da metrópole deixaram a cidade nos últimos cinco dias. As inundações afetam nove bairros dos 50 da capital tailandesa.

Os analistas que assessoram o governo calculam que o volume de água que ameaça a cidade é de 4 bilhões de metros cúbicos. Segundo eles, é possível que a região receba até 15 bilhões de metros cúbicos, quantia que supera amplamente a capacidade dos canais de Bangcoc, pelos quais diariamente podem passar 250 milhões de metros cúbicos.

O diretor do Centro de Operações para as Inundações e por sua vez ministro da Justiça, general Pracha Promnok, avisou neste domingo que o volume de água subirá nas próximas horas, por isso podem ocorrer novos transbordamentos.

*Com New York Times, AP e EFE

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