Barreira israelense prejudica camponeses palestinos

Jayyus (Cisjordânia) 9 jul (EFE).- Quatro anos transcorreram desde que a Corte Internacional de Justiça (CIJ) declarou ilegal a barreira de separação que Israel impôs à Cisjordânia, enquanto continua sua construção apesar das reivindicações dos palestinos e de diversos organismos.

EFE |

Apesar da sentença não-vinculativa da corte em 9 de julho de 2004, o Executivo israelense segue implacável com a construção da barreira, que pode ser de cerca ou muro, de acordo a região em que esteja instalada.

Iniciado em 2002 com o objetivo de impedir ataques contra Israel ou assentamentos judaicos, sua construção segue provocando polêmica e suas conseqüências para a população palestina são devastadoras.

Israel não acatou as recomendações do tribunal internacional que pediam o fim da barreira levantada na Cisjordânia e a indenização aos palestinos afetados.

Quando a construção for concluída, 87% de seu traçado ficará dentro da Cisjordânia, enquanto 13% passará pela chamada Linha Verde, uma fronteira imaginária aceita internacionalmente após a primeira guerra árabe-israelense (1948-49).

Segundo dados do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), até o momento Israel construiu em torno de 60% do traçado projetado, de um total de 723 quilômetros.

A Ocha denuncia que 52 comunidades rurais palestinas ficarão desligadas de suas terras como conseqüência da cerca, como é o caso da aldeia de Jayyus, no distrito de Kalkilia, no norte da Cisjordânia.

"O muro transformou uma vida de felicidade em sofrimento", lamenta Mohammed Taher Jaber, prefeito do distrito cuja população em sua amaioria é formada por pequenos agricultores.

Hoje, 75 % de seus habitantes estão desempregados. Alguns privilegiados trabalham com permissões especiais para chegar a terras separadas pelas barreiras, que são abertas poucas pessoas três vezes ao dia.

A barreira que separa Jayyus de seus 860 hectares de terras é composta por uma cerca com sensores eletrônicos, cujo traçado adentra em seis quilômetros do território da Cisjordânia e a separa do assentamento judaico de Zufin.

Dos 3.500 habitantes de Jayyus, apenas 170 têm permissões e muitos abrem mão de solicitá-las, pois na maioria dos casos Israel nega os pedidos alegando questões de segurança.

Sharif Omar Khalid tem permissão, mas aos seus 65 anos não pode trabalhar a terra sozinho e, como nenhum de seus três filhos tem autorização, sua situação se complica.

"Por que não dão as permissões? Porque assim a terra fica em desuso e após três anos podem alegar a lei de ausências" para confiscá-la, argumenta.

Peter Lerner, porta-voz do Escritório de Coordenação das Atividades do Governo israelense nos territórios, afirma que a barreira "provou ser eficaz para reduzir o número de mortos israelenses em ataques terroristas".

Segundo ele, Israel "estabeleceu um sistema para que toda pessoa que demonstre ter propriedade de sua terra tenha acesso a ela". EFE db/rr

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