Barak diz que concessões a palestinos só diminuiram a segurança em Israel

Berlim, 6 abr (EFE).- O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, declarou que as concessões que seu Governo fez aos palestinos serviram apenas para limitar a segurança dos próprios israelenses.

EFE |

Em entrevista à revista alemã "Der Spiegel", que será publicada amanhã, Barak afirma que Israel deu "aos palestinos a oportunidade de organizar seu próprio território, mas em vez de responder com tranqüilidade, o fizeram com ataques de mísseis".

Barak diz à publicação que suspendeu a visita à Alemanha, prevista para a próxima semana, devido à "tensão" que está sendo vivida na fronteira entre o Líbano e a Síria, ao norte de Israel.

O ministro ressaltou que "ninguém", nem mesmo a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pode pressioná-lo a acelerar o processo de paz com os palestinos. "Sou responsável pela segurança de Israel e levo meu trabalho muito a sério", diz.

Perguntado sobre as construções de seu Governo em territórios palestinos, Barak disse que, no momento, Israel não está criando novos assentamentos para não "contrariar" seus "amigos palestinos".

Na entrevista, ele afirma que não tem que demonstrar sua "ativa" disposição pela paz. Ele considera que já provou sua vocação pacífica em 2000, quando era primeiro-ministro de Israel e se reuniu, em Camp David (EUA), com o então líder palestino, Yasser Arafat, a quem ofereceu "um Estado palestino com 100% da Faixa de Gaza e 90% da Cisjordânia".

Barak disse que na reunião de Camp David, organizada por Bill Clinton, se sentiu como um "bombeiro" que "tenta evitar que o fogo passe para a casa ao lado".

O ministro considera que atualmente a situação é diametralmente oposta à daquela época. "Arafat não estava pronto para a paz, mas sim na posição de chegar a acordos". Agora "parece que (o presidente da ANP, Mahmoud) Abbas está preparado, mas segue com dúvidas se será capaz de alcançar compromissos".

Barak insiste que Israel não luta contra a população civil palestina, embora reconheça que não vê nela "nenhuma predisposição a pôr fim a esta situação insustentável".

O ministro israelense afirma que Israel não considera os cortes de energia na Faixa de Gaza um "castigo coletivo", mas toma cuidado para que não provoquem uma "crise humanitária".

"Não estou em posição de decidir se é melhor para os palestinos construir um Governo de união nacional ou se Abbas deveria tentar recuperar a Faixa de Gaza", em poder do Hamas desde junho de 2007, afirma Barak.

Para o ministro, não se deve ditar o que fazer em outra região, já que essa estratégia não funcionou nem no Afeganistão nem no Iraque. EFE nvm/rr/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG