Barak deixa Partido Trabalhista para criar nova legenda em Israel

Decisão do atual ministro da Defesa do país deve impactar coalizão de governo liderada por Netanyahu, do Likud

iG São Paulo |

O ministro da Defesa de Israel e atual líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, anunciou nesta segunda-feira que deixará o partido para formar outro, chamado Independência.

Reuters
Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, é visto durante coletiva de imprensa na qual anunciou sua saída do Partido Trabalhista
"Solicitamos à Comissão do Parlamento a formação de uma nova facção que receberá o nome de Independência", anunciou Barak em entrevista coletiva no Parlamento israelense (Knesset) em Jerusalém. "Será um partido sionista e democrático", completou.

A surpreendente manobra, destinada a impedir uma reunião das instâncias dirigentes do partido, que ameaçavam deixar o governo devido à falta de avanços nas negociações com os palestinos, acarretou imediatamente a demissão de três ministros trabalhistas que se recusaram a seguir Barak.

Há meses, diversos líderes trabalhistas estimavam que era preciso dar um ultimato a Netanyahu para reiniciar as negociações de paz - posição a qual Barak se opunha, determinado a manter a coalizão governista.

Partido

Barak formará o partido com a ajuda de quatro deputados trabalhistas: Matan Vilani, Shalom Simhon, Eitan Wilf e Orit Noked. Na coletiva de imprensa, Barak disse que a nova legenda tentará resgatar o espírito do partido esquerdista israelense Mapai do histórico dirigente David Ben Gurion.

"Nossa ordem do dia será primeiro o Estado, depois o partido, depois a comunicação e finalmente nós", declarou o titular da Defesa, que encorajou aos que pensam como ele a se somar à nova formação política que terá por missão defender "tudo o que seja bom e correto para Israel". Barak anunciou sua decisão após ter solicitado em carta à Comissão da Knesset abandonar o Partido Trabalhista para criar o novo partido.

Ainda não se sabe que impacto a decisão causará na coalizão de governo liderada pelo primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, da qual fazem parte cinco ministros trabalhistas. Por enquanto, segundo a imprensa israelense, o partido conservador Likud, liderado por Netanyahu, pediu que seus integrantes apoiem a decisão de Barak. "Hoje o governo ficou fortalecido, tanto em governança quanto em estabilidade", disse o premiê em reunião de seu partido.

O vice-ministro da Defesa, Matan Vilani, que decidiu acompanhar Barak em sua nova aventura política, afirmou que o partido Independência impulsionará as tentativas por retomar o processo de paz com os palestinos.

Os trabalhistas, que governaram o Estado de Israel nas três primeiras décadas de sua história, continuam sendo considerados o principal partido de esquerda neste país. Quarta formação política de Israel com 13 deputados dos 120 que integram o Parlamento, o Partido Trabalhista é membro da Internacional Socialista e vive há anos imerso em disputas internas.

*Com AFP e EFE

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