Barack Obama torna-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos

Barack Obama tornou-se nesta terça-feira o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, depois de prestar juramento diante de uma imensa multidão emocionada, saudando a escolha da esperança, em detrimento do medo, num momento em que o país continua em crise e em guerra.

AFP |

O 44º presidente dos Estados Unidos prestou juramento às 12H05 locais (15H05 de Brasília) sobre a bíblia usada com o mesmo objetivo por Abraham Lincoln nos degraus do Capitólio, a sede do Parlamento, diante do Mall, a imensa esplanada no coração da capital federal dos Estados Unidos, onde se reuniram, segundo o Washington Post, dois milhões de pessoas.

"Eu, Barack Hussein Obama, juro solenemente cumprir as funções de presidente dos Estados Unidos e, na medida do possível, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos", declarou, antes de pronunciar seu discurso de posse sob os aplausos da multidão.

Ao assumir o comando de um país abalado por uma grave crise econômica e duas guerras, o ex-senador democrata de Illinois (norte dos EUA) afirmou que seus concidadãos escolheram "a esperança, em detrimento do medo" ao elegê-lo como presidente, e que a América está "pronta para liderar" novamente.

Ante a ameaça do terrorismo, Obama advertiu aos extremistas de todo o mundo que eles não conseguirão enfraquecer os Estados Unidos.

Ele prometeu que os Estados Unidos "vão começar a se retirar do Iraque de forma responsável", mais de cinco anos após a invasão deste país, ordenada por George W. Bush em março de 2003.

Obama propôs ao mundo muçulmano "uma nova relação, baseada no interesse e no respeito mútuos".

Sobre a recessão que abala atualmente os Estados Unidos, Obama disse que a economia americana, "muito enfraquecida", foi vítima "da avareza e da irresponsabilidade de alguns".

"Um país não pode prosperar por muito tempo favorecendo apenas os mais ricos", afirmou.

Ele ainda prometeu que os Estados Unidos "não medirão esforços para conter a ameaça do aquecimento global".

Barack Obama e sua esposa Michelle, de vestido amarelo claro, tinham deixado a Casa Branca junto com Bush, que encerrou desta forma oito anos de um mandato marcado pelos atentados de 11 de setembro de 2001 e pelas invasões do Afeganistão e do Iraque.

Apesar de um frio intenso, de cerca de 10 graus negativos, milhares de pessoas utilizaram os transportes públicos no meio da noite para assistir a este dia histórico.

Cinco horas após a abertura das estações, às 10H00 (13H00 de Brasília), o metrô de Washington já tinha transportado quase meio milhão de pessoas, ou seja, quase toda a população da capital, que tem 600.000 habitantes.

Uma mulher de 28 anos foi levemente ferida ao ser empurrada pela multidão e cair nos trilhos do metrô.

"Até agora, não foi registrado qualquer problema", frisou, no entanto, um porta-voz da polícia. O acesso ao Mall era muito vigiado, com todas as pessoas tendo que passar por detectores de metais, como nos aeroportos.

"Obama está fazendo história", sentenciou Mary Lloyd, que veio do estado vizinho de Maryland com sua mãe e suas três filhas.

Às 14H30 (17H30 de Brasília), um desfile acompanhará o presidente a sua nova residência, um percurso de 2,7 km entre o Capitólio e a Casa Branca.

O dia será encerrado com alguns passos de dança: Barack Obama participará de dez dos cerca de cem bailes oficiais que acontecerão na capital.

Os serviços de segurança e de inteligência estão investigando uma "ameaça potencial", cuja credibilidade ainda é "incerta", alertou o ministério da Segurança Interna em comunicado. Segundo a rádio local WTOP, os serviços de segurança receberam na noite de segunda-feira informações acerca de uma eventual ameaça proferida por um grupo islamita somali chamado Al-Shahab, que manteria uma célula nos Estados Unidos.

Reservistas da Guarda Nacional foram mobilizados na maior operação de segurança já instaurada para uma posse presidencial, com 12.500 militares e milhares de policiais.

Helicópteros do Exército sobrevoaram a cidade, lanchas militares patrulharam no rio Potomac, e soldados estavam prontos para disparar mísseis terra-ar e impedir qualquer atentado químico ou biológico.

A posse do 44º presidente dos Estados Unidos suscitou esperanças e comentários em todo o mundo.

O Papa Bento XVI expressou o desejo de que Obama seja "o promotor da paz e da cooperação entre as nações". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se declarou "ansioso" para "mudar o mundo" com o novo presidente.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, saudou "um novo capítulo na história americana e mundial".

O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, convidou Obama a "encarar, juntos, os desafios atuais".

bur/yw/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG