Barack Obama ordena o fim de Guantanamo e o respeito à Convenção de Genebra

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou nesta quinta-feira um decreto que ordena o fechamento do centro de detenção de Guantánamo num prazo de um ano, marcando a ruptura com a política controversa de luta contra o terrorismo de George W. Bush.

AFP |

O decreto estabelece "um processo através do qual Guantánamo será fechado em um ano o mais tardar", disse Obama durante a cerimônia de assinatura.

O presidente também assinou um outro decreto impondo aos Estados Unidos à conformação às convenções de Genebra e ao manual do exército americano no tratamento dos prisioneiros.

O presidente dos Estados Unidos também pediu nesta quinta-feira a Israel que abra os postos de passagem nas fronteiras de Gaza para que possa entrar a ajuda humanitária e fluir o comércio.

"O socorro deve poder chegar aos palestinos inocentes que dependem deles", afirmou o presidente, durante visita ao departamento de Estado americano destinada a mostrar a importância concedida à diplomacia e à unidade de pontos de vista com a secretária de Estado, Hillary Clinton.

O novo governo contará com o ex-senador George Mitchell, 75 anos, no cargo de emissário para o Oriente Médio que prometeu empreender "todos os esforços necessários para alcançar a paz e a estabilidade no Oriente Médio", ao aceitar sua nomeação.

Com os decretos de hoje, "a mensagem que enviamos ao mundo, é a de que os Estados Unidos têm a intenção de prosseguir o combate, comprometidos, no entanto contra a violência e o terrorismo, o que faremos com vigilância, com eficácia, dentro do respeito a nossos valores e ideais", disse.

Os americanos sabem, "como disse por ocasião da minha posse, que não perpetuaremos as más escolhas entre nossa segurança e nossos ideais", destacou.

Obama assinou o decreto no Salão Oval, cercado de militares e funcionários, após uma reunião em que debateu com eles a política de interrogatório e de detenção de pessoas suspeitas de terrorismo.

Organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram Guantánamo como uma zona de não-direito, onde os prisioneiros permanecem durante anos sem uma acusação formal. E se emocionam com as condições de detenção e as torturas das quais alguns detentos já foram vítimas.

Para muitos, entre eles o presidente Obama, Guantánamo é uma das causas da deterioração da imagem dos Estados Unidos no exterior.

Dando-se o prazo de um ano, Obama terá um tempo para responder a uma questão espinhosa: o que fazer dos prisioneiros que podem, ainda, representar um perigo e que outros países não querem abrigar?

Obama havia se comprometido a fechar o polêmico campo de detenção durante a campanha eleitoral.

A notícia do projeto de fechamento havia sido revelada um dia depois de Obama pedir a suspensão durante 120 dias dos julgamentos que acontecem em Guantánamo, com o objetivo de permitir a revisão das políticas e condições de detenção na prisão.

A prisão de Guantánamo, atualmente com um total de 245 detentos, foi aberta em 2002, como parte da "guerra contra o terrorismo" iniciada pelo governo de George W. Bush depois dos atentados de Nova York e Washington.

Os tribunais de exceção para julgar alguns de seus prisioneiros foram criados em 2006.

As novas medidas estabelecidas pelo presidente "modificam as regras de detenção e de interrogatório da CIA.

A última versão do manual do exército (Army Field Manual) revisada em 2006, proíbe explicitamente técnicas de interrogatório tais como os golpes, a utilização de animais para assustar os prisioneiros, o eletrochoque e a simulação de afogamento, considerados tortura pelas organizações de defesa dos direitos humanos.

A situação no Afeganistão é "perigosa", e "vai levar tempo para melhorar", declarou Barack Obama, que acaba de nomear um emissário para a região.

"O povo americano e a comunidade internacional têm de entender que a situação é perigosa, e que vai levar tempo para melhorar", disse o presidente durante uma visita ao departamento de Estado.

Obama apresentou um panorama sombrio da situação no país, onde dezenas de milhares de soldados da Otan tentam acabar com os rebeldes talibãs que ameaçam o frágil governo do presidente Hamid Karzai.

col/mac/sd

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