Barack Aladim Obama

Um negro nascido no Havaí, filho de queniano, de sobrenome Hussein, criado na Indonésia, com um modesto currículo político, é o novo presidente dos Estados Unidos. Um homem com este perfil se tornar o presidente mais poderoso do mundo, em política, é um milagre que gera expectativas milagrosas, aladianas.

BBC Brasil |

Uma esfregadinha na lâmpada e os Estados Unidos vão reconquistar os corações do mundo. Mais uma e os inimigos vão depor as armas e desarmar as bombas.

Por que não pedir uma nova fonte de energia que vai gerar 5 milhões de empregos e acabar com a dependência no petróleo? E mais: todos os americanos terão a melhor assistência médica do mundo, vão trabalhar num gigantesco novo New Deal que vai reconstruir e empregar todo país. Cura do câncer?
Por que não?
As esperanças em Obama hoje não têm limites. Os americanos vão se reunir em torno de um colossal kumbayat, cantar músicas de John Lennon, We can Work it Out, e de Woody Guthrie, This Country is my land, this country is your land, e 300 milhões vão sair numa linha de conga rumbando pelo país inteiro.

A alegria que se irradia do parque Grant de Chicago é incontível e começou cedo, 20h50, com a vitória na Pensilvânia. Meia hora depois, a rede Fox, de tendência McCainiana, anunciou a vitória de Obama em Ohio, indispensável para os candidatos republicanos. Desde Lincoln, sem Ohio, eles não chegam à Casa Branca.

Com a Pensilvânia e Ohio na coluna azul, uma vitória republicana no colégio eleitoral passava a depender dos Estados ulltra-democratas da costa oeste. Nem Aladim.

Os primeiros minutos da noite foram pró-McCain. Ele liderava na Flórida, Virgínia e Indiana, três Estados cruciais, mas a alegria republicana durou pouco. Ganhava em Estados previsíveis como Alabama, Mississipi, Virgínia Oriental, mas não conquistava um território onde os dois partidos estavam empatados pelas pesquisas nem tomava um Estado que votou nos democratas na última eleição.

A melhor distração da noite, antes dos números decisivos, foi oferecida pela CNN, com a primeira holografia na televisão. Graças a 35 câmeras, uma correspondente que estava noutro Estado entrou no estúdio de Nova York e, holograficamente, ficou frente a frente com o âncora. Um Aladim na Casa Branca, outro na CNN.

Pouco antes das 23h00, Obama tinha 204 votos no colégio eleitoral, McCain tinha 135. Daí a poucos minutos, fechariam as urnas dos Estados tradicionalmente democratas: Califórnia, Oregon, Washington e Havaí. Uma das expectativas era que Obama conseguisse os 270 decisivos com os votos do Havaí, onde ele passou a adolelescência aos cuidados da avó que morreu três dias antes do neto ser eleito o 44º presidente dos Estados Unidos.

Seria um precioso toque sentimental vencer com o voto havaino, mas Obama não precisou do Estado, nem da Califórnia, nem da Flórida. Às 23h00, as redes anunciaram que ele tinha 24 votos além dos necessários para ser eleito. Antes da contagem final ele tinha 51% do voto popular, o sexto presidente desde a Segunda Guerra que conseguiu romper a barreira dos 50%.

O segundo desejo de Obama foi atendido. O primeiro foi a indicação do partido. Quais são os próximos? Estabilizar a economia, reformar a saúde pública e reduzir os impostos da classe média, nesta ordem, são as três prioridades do presidente eleito. Há meses, muito mais disciplinado do que Bill Clinton, ele vem se preparando para assumir na Presidência.

Obama tem o entusiasmo dos americanos, os votos na Câmara, mas não conseguiu os 60 votos no Senado, a prova de obstruções parlamentares. Ele terá que demonstrar o mesmo talento unificador que demonstrou quando se elegeu deputado e senador em Illinois, com o apoio de facções tradicionalmente inimigas.

Nesta vitória, Obama foi eleito pelas mulheres, jovens, latinos, negros, asiáticos e outras minorias, McCain ganhou os votos da geração acima de 50 anos. O desejo do mundo também foi atendido. Só meia dúzia de países torciam por McCain, que dedicou boa parte do discurso reconhencendo a vitória de Obama às injustiças da escravidão.

Obama gera esperanças universais, um momento mágico. Pode ser o último capítulo da história do racismo nos Estados Unidos e o primeiro de uma nova prosperidade mundial.

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