Banqueiros defendem resgate do governo nos EUA

Os presidentes de oito dos principais bancos americanos foram ao Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira para defender os investimentos feitos pelo governo em suas instituições em meio à crise financeira que toma conta do país. Os oito bancos - Citigroup, JP Morgan Chase, Bank of America, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of New York Mellon, State Street e Wells Fargo - receberam até agora US$ 166 bilhões em verbas públicas, mas membros do Congresso vinham manifestando preocupação com a falta de transparência sobre como o dinheiro foi aplicado.

BBC Brasil |

Os bancos foram beneficiados pelo plano de regate financeiro de US$ 700 bilhões aprovado no ano passado, dos quais aproximadamente US$ 315 bilhões ainda não foram gastos.

A crise financeira fez com que a opinião pública americana manifestasse revolta com o fato de muitas dessas instituições pagarem salários e bônus milionários a executivos, apesar das dificuldades financeiras que atravessam.

Os presidentes explicaram à Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes como o dinheiro que receberam foi aplicado e como permitiu aumentar a oferta de empréstimos.

Eles garantiram que as verbas não foram usadas para pagar bônus.

"Nós ajudamos a impedir que 440 mil proprietários de casas com hipotecas tivessem de devolver os imóveis", disse o presidente do Citigroup, Vikram Pandit. O banco já recebeu US$ 45 bilhões.

"Nós vamos continuar fazendo mudanças para que a companhia volte a dar lucro", afirmou.

"Os velhos modelos não funcionam mais, nós precisamos nos adaptar bem às novas realidades."

Lloyd Blankfein, do Goldman Sachs, reconheceu que existe muita revolta da opinião pública em relação às instituições bancárias.

"Em meus 26 anos no Goldman Sachs, eu nunca vi um distanciamento maior entre a indústria de serviços financeiros e o público", afirmou.

John Mack, do Morgan Stanley, seguiu uma linha parecida: "Nós não fizemos tudo certo. Longe disso. E não se enganem: como chefe desta empresa, eu assumo responsabilidade pelo nosso desempenho".

As declarações foram feitas um dia depois de o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, ter anunciado um novo plano de resgate de cerca de US$ 1,5 trilhão para as instituições financeiras do país.

O plano recebeu críticas de analistas, que o consideraram vago especialmente no tocante à forma como o dinheiro será usado para eliminar os "papéis podres" - títulos de baixa liquidez, lastreados em hipotecas, que engordam os balanços dos bancos.

Falando nesta quarta-feira na Comissão de Orçamento do Senado, Geithner disse que agências governamentais serão mobilizadas para avaliar "realisticamente" o risco que esses títulos representam aos bancos.

Na Grã-Bretanha, o vice-presidente de um órgão de fiscalização do setor financeiro renunciou ao cargo depois de ter sido acusado de ignorar alertas sobre a vulnerabilidade de um banco do país.

Além de ocupar o cargo na Autoridade de Serviços Financeiros, James Crosby vinha atuando como conselheiro do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Crosby foi presidente do banco HBOS (Halifax Bank of Scotland) entre 2001 e 2006, e em 2005 afastou um diretor da instituição, Paul Moore, depois que este alertou que o banco estava assumindo riscos demais.

Crosby divulgou um comunicado dizendo que as alegações de Moore já foram investigadas, mas nada ficou provado. Mas, mesmo assim, disse ter sentido que era "o curso correto de ação" se afastar da Autoridade de Serviços Financeiros.

A Autoridade é o órgão regulador do setor de serviços financeiros britânico.

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