Bangladesh: vencedora da eleição pede à rival que reconheça resultado

O Bangladesh corre o risco nesta quarta-feira de iniciar uma nova crise política depois que a ex-primeira-ministra Hasina Wajed, vencedora das eleições legislativas de segunda-feira, pressionou sua rival e também ex-chefe de governo, Khaleda Zia, a aceitar sua derrota.

AFP |

Assim como as legislativas anteriores, as de segunda-feira se resumiram num duelo entre estas duas sexagenárias que se detestam e que monopolizam há 20 anos a vida política deste país muçulmano, laico e pobre, de 144 milhões de habitantes, encravado no nordeste da Índia.

"Acho que ela deve se curvar ao veredicto do povo porque estas eleições foram livres, justas e transparentes", declarou Hasina em seu primeiro discurso após a votação, cujo resultado foi rejeitado pela perdedora, Khaleda, sob alegações de fraudes.

"Agradeço ao chefe da comissão eleitoral por ter dirigido estas eleições. Elas não são aceitáveis", disse Khaleda na madrugada de terça para quarta-feira.

Mas a Liga Awami de Hasina Wajed, que foi primeira-ministra de 1996 a 2001, conseguiu uma vitória esmagadora nas legislativas, garantindo seu retorno ao poder após sete anos de oposição, dos quais dois sob um regime de transição coroado pelo exército.

Das 299 cadeiras da Assembléia Nacional, a Liga Awami, um partido laico de centro esquerda, ficou com 231, contra apenas 27 para o Partido nacionalista do Bangladesh de Khaleda Zia, que foi chefe de governo de 1991 a 1996, e depois de 2001 a 2006.

"É uma vitória da boa governança sobre a má governança. Uma vitória da paz sobre o terrorismo", acrescentou Hasina.

Com estas primeiras legislativas desde 2001, o ex-Paquistão oriental -como era chamado antes de sua independência em 1971-- espera encerrar um círculo vicioso de quase 40 anos em torno do qual se alternaram governos militares e períodos democráticos.

O departamento de Estado americano, observadores da União Européia, do Commonwealth e da Ásia cumprimentaram o "sucesso" de uma eleição "confiável", com uma taxa de 85% de participação, pedindo aos dois campos que se entendam depois de mais de dois anos de caos político.

"Se desconsiderarmos alguns problemas técnicos menores, estas eleições foram marcadas pelo profissionalismo, a transparência e a credibilidade", comentou em um comunicado o chefe dos observadores da UE, Alexander Graf Lambsdorff.

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