Bangcoc alcança acordo sobre programa de redução dos gases de efeito estufa

Mais de 160 países alcançaram nesta sexta-feira, em Bangcoc, um acordo sobre um ambicioso programa de trabalho para conseguir, antes de 2009, um novo acordo mundial sobre a redução das emissões dos gases de efeito estufa.

AFP |

Ao final de cinco dias de reuniões, os participantes na conferência de Bangcoc acertaram mais três reuniões para o ano em curso para abordar o desmatamento, o financiamento para lutar contra a mudança climática e uma controvertida proposta japonesa sobre as obrigações ambientes das indústrias.

A declaração de Bangcoc propõe, além disso, quatro conferências no próxim ano, com uma duração de oito semanas, pois o objetivo é conseguir um acordo mundial sobre a redução dos gases de feito estufa, que deverá substituir o Protocolo de Kyoto, cujos primeiros compromissos vencem em 2012.

Os participantes concordaram em examinar os meios para reduzir as emissões de gases de efeito estufa provocadas pelos aviões e barcos, no marco da luta mundial contra o aquecimento climático.

Os Estados que fazem parte do Protocolo de Kyoto, reunidos na Tailândia, pela primeira vez desde dezembro na conferência de Bali, aprovaram por consenso uma declaração que promete examinar maneiras de limitar e reduzir essas emissões.

A indústria de transporte mundial é responsável por cerca de 3% das emissões de gases de efeito estufa.

Apesar disso, as viagens aéreas e marítimas haviam sido excluídas dos planos de redução prometidas pelos países industrializados no Protocolo de Kyoto, que tem seus primeiros compromissos expirando em 2012.

Agora, a comunidade internacional deve alcançar, antes do final de 2009, um novo acordo mundial que se baseie em Kyoto.

Os participantes da reunião de Bangcoc se esforçaram durante cinco dias para atenuar suas divergências, que estiveram a ponto de fazer fracassar a conferência anterior.

A declaração de Bangcoc indica que os assinantes de Kyoto examinarão "como podem ser utilizados os métodos para limitar ou reduzir as emissões contaminantes como um meio para alcançar seus objetivos".

A Noruega e a União Européia (UE) lideraram as convocações para incluir o setor de transporte nos objetivos de redução de emissões contaminantes em um acordo mundial.

Defensores do meio-ambiente indicaram que alguns países, como Cingapura e Austrália, tentaram embargar o acordo, sugerindo que a indústria de transporte deveria se auto-regular.

Os grupos ecologistas saudaram o texto apesar de considerarem seu conteúdo bastante vago e o fato de não citar explicitamente que o setor de transporte será incluído em qualquer acordo obrigatório.

"A boa notícia é que o setor está lá, mas a má é a linguagem, que oferece margem de interpretação", explicou Marcelo Furtado do Greenpeace Brasil.

"Agora, o que devemos fazer é ficar atentos à forma como isso vai se desenvolver", acrescentou.

Por outro lado, algumas divergências apareceram em relação à proposta japonesa de realizar negociações para uma "aproximação setorial" que permitiria julgar cada indústria em função de suas obrigações ambientais.

Os países em desenvolvimento temem que isso coloque os Estados industrializados em uma melhor posição para cumprir os compromissos de Kyoto e que seja uma maneira disfarçada para obrigar legalmente os países pobres a reduzir suas próprias emissões.

"A proposta japonesa é de principal obstáculo", afirmou Daniel Mittler, conselheiro da Greenpeace Internacional.

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