Banda de rock é absolvida de incêndio que matou quase 200 na Argentina

Os integrantes do grupo de rock argentino Callejeros foram absolvidos nesta quarta-feira em um tribunal de Buenos Aires das acusações relativas ao incêndio em uma discoteca na capital argentina, que resultou na morte de 194 pessoas em 30 de dezembro de 2004. O gerente da discoteca República Cromañon, Omar Chaban, foi condenado a vinte anos de prisão, mas responderá em liberdade, impedido de deixar o país.

BBC Brasil |

Foi determinada ainda pena de dois anos de prisão para dois funcionários públicos que eram responsáveis pela fiscalização das discotecas da cidade e de dezoito anos para o empresário do grupo.

Os três também responderão em liberdade pelo incidente que teria deixado quase 1,5 mil pessoas com algum tipo de lesão.

Revolta
Embora centenas de fãs da banda tenham comemorado a decisão reunidos em uma praça próxima ao Tribunal, a absolvição dos músicos gerou choro e insultos dos familiares e amigos das vítimas, dentro e fora da sala de audiência.

Em frente ao Tribunal, no centro de Buenos Aires, uma multidão erguia fotos das vítimas e jogou pedras contra o edifício.

A tropa de choque da polícia que cercava a região reagiu empurrando as pessoas para colocar grades em torno do Tribunal.

"Isso é uma provocação", disse o pai de uma adolescente morta naquela noite.

"Isso não termina aqui. Perdi meu único filho e não desistirei fácil desta batalha judicial. Todos deveriam ter sido condenados e presos, incluindo o grupo Callejeros", afirmou a mãe de outro adolescente, diante das câmeras de televisão.

Um dos líderes do grupo de familiares das vítimas, José Iglesias, pai de outro adolescente, Pedro, destacou que serão organizadas manifestações contra a decisão. "É um escândalo essa absolvição de Callejeros. Não confio mais na justiça", disse.

Acusações
O grupo foi acusado de coautoria de incêndio seguido de morte e de estimular o uso de pirotecnia em seus shows.

Investigadores do caso disseram que, naquela noite, as portas de emergência foram fechadas quando alguém soltou um foguete dentro do prédio.

O contato do foguete com objetos da decoração interna gerou uma fumaça que, segundo especialistas, transformou o local numa espécie de "câmara de gás".

Por isso, como destacou a imprensa local, sobreviventes ficaram com sequelas respiratórias, entre outras.

Horas após o anúncio do veredicto, o Tribunal continuava cercado por forte esquema de segurança.

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