Bancos reabrem no Haiti; governo tenta retomar economia

Por Catherine Bremer PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Os bancos do Haiti vão começar a reabrir nos próximos dias, disse a ministra do Comércio nesta quinta-feira, enquanto o governo discute com parceiros externos medidas para que a economia local volte a andar depois do devastador terremoto deste mês.

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"Os bancos nas províncias vão reabrir na sexta-feira, e no sábado em Porto Príncipe", disse a ministra Josseline Colion Fehtiere à Reuters. Segundo ela, as agências também estarão abertas para saques no domingo.

Algumas agências foram destruídas pelo terremoto do dia 12, que matou até 200 mil pessoas. Os bancos que permanecerão de pé devem atender aos clientes das instituições afetadas para que o público possa movimentar suas contas, disse a ministra.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem trabalhado com países doadores para que o dinheiro circule novamente na economia haitiana, de modo que as pessoas possam comprar alimentos e os servidores públicos recebam seus salários, segundo fontes do órgão.

Mas autoridades ligadas à ajuda internacional afirmam que há enormes desafios para a recuperação econômica do país, que mesmo antes do tremor já era o mais pobre das Américas, e onde 70 por cento da população vive com menos de 2 dólares por dia.

Algumas agências de remessas financeiras internacionais já voltaram a funcionar, permitindo transferências de dinheiro de haitianos no exterior para seus desesperados parentes no país caribenho.

"Quando os bancos abrirem vai realmente ajudar, mas vai ser difícil durante meses, até anos. Vai ser preciso dinheiro para reconstruir, e mesmo que haja dinheiro vindo para o Haiti nós não veremos um tostão. O governo não vai dar um cheque a ninguém", disse o comerciante Charles Jacques, de 39 anos. A loja dele ficou tão destruída que ele preferiu vender seu estoque a camelôs.

A ministra do Comércio haitiano disse que o Banco Central voltou a funcionar na segunda-feira e que funcionários conseguiram salvar computadores do Ministério das Finanças, que continham dados dos impostos de renda e circulação de mercadorias.

Fethiere disse ainda que o governo haitiano irá prorrogar por 15 dias o estado de emergência, e depois disso tentará trabalhar normalmente. Devido à situação de luto nacional, o tradicional Carnaval haitiano será cancelado neste ano.

Numa avaliação aparentemente otimista, Fethiere disse que mais de metade da economia haitiana, talvez até 60 por cento, pode já estar funcionando na próxima segunda-feira. Atualmente só há 20 por cento dos negócios ativos.

Tentando estimar o impacto econômico do terremoto, funcionários do FMI disseram que o prejuízo dos devastadores furacões de 2008 equivaleu a 15 por cento do PIB nacional, ou 900 milhões de dólares. Os danos decorrentes do terremoto são provavelmente maiores, embora não haja cifras definitivas.

Fethiere disse que o parque industrial de Porto Príncipe, que inclui importantes fábricas têxteis, ficou intacto. Doadores dizem que investimentos no setor de vestuário poderiam ser uma grande fonte de renda e empregos para o Haiti.

A ministra informou ainda que alguns supermercados que escaparam à destruição na capital já reabriram, e que mercados informais nas ruas também estão voltando a vender alimentos a quem tem dinheiro. Pequenas mercearias, barbearias e farmácias também reabriram, algumas vendendo fiado.

(Reportagem adicional de Lesley Wroughton)

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