Banco inglês preserva 10% da flora silvestre de todo o planeta

Uma espécie de Fort Knox fortemente vigiado em meio à campina inglesa, o Banco de Sementes do Milênio, em Sussex, não guarda em seus cofres barras de ouro e sim um bilhão de sementes de todo mundo, muitas das quais estão em perigo de extinção.

AFP |

Construído em 2000 em um belo parque de Wakehurst Place, a uma hora de Londres, este banco armazena mais de um bilhão de sementes de 130 países, como explica Michael Way, coordenador para as Américas do Banco de Sementes do Milênio (MSB, na sigla em inglês).

Também conhecido como a "Arca de Noé das plantas", o MSB, que faz parte do Jardim Botânico Kew Gardens de Londres, é considerado um dos projetos de conservação mais ambiciosos do planeta.

"Conservamos sementes de 24.000 espécies de plantas silvestres, protegendo-as do perigo de extinção e, em 2010, esperamos ter armazenado sementes de 30.000 espécies", afirmou o especialista.

Apesar de existirem outros bancos de sementes em todo mundo, o da Inglatera tem a maior quantidade de sementes da flora silvestre".

"A meta para 2010 é ter armazenado as sementes de 10% de todas as plantas silvestres do planeta e, até 2020, 25%", indicou o especialista, explicando que, para cumprir esse objetivo, o MSB colabora com bancos de dezenas de países, entre eles Brasil, México, Chile, Peru e Argentina.

Way enfatiza que a conservação de sementes de plantas que estão em perigo de extinção em seu habitat natural é uma das principais estratégias "para combater a rápida perda da biodiversidade que ameaça o planeta devido à mudança climática, à perda do habitat ou a invasão por outras espécies".

Para conseguir conservar as sementes em boas condições para que germinem no futuro, o proceso antes de armazená-las é muito rigoroso.

Ao chegar a Wakehurst, primeiro são limpas cuidadosamente e depois são secas, com pelo menos 15% de sua umidade extraídas. Em seguida, são armazenadas a -20 graus centígrados.

"Dessa forma poderão ser conservadas por várias centenas de anos", explicou o especialista.

Entre as histórias surpreendentes que se ouve em Wakehurst Place, destaca-se uma que há pouco tempo fez os cientistas se encherem de esperança: sementes guardadas há mais de 200 anos conseguiram ser germinadas.

Essas sementes chegaram ao Reino Unido em 1803, num barco holandês proveniente da Cidade do Cabo, África do Sul, depois capturado pela Marinha britânica.

"Quem as trouxe foi um marinheiro holandês que as grudou nas páginas de seu diário de viagem. A Grã-Bretanha e a Holanda estavam em guerra e o marinheiro e seu diário foram parar na Torre de Londres", contou o biólogo.

Os diários logo foram enviados aos Arquivos Nacionais do Reino Unido, que, por sua vez, o mandaram no ano passado para os jardins botânicos de Kew Gardens.

"Mais de 200 anos depois, os cientistas conseguiram fazer essas sementes germinar. E esta é a planta de uma dessas sementes", afirmou Way, exibindo o fruto de uma história impressionante.

Perto dali é possível ver a planta que germinou da semente de número um bilhão a ser registrada no ano passado no banco: um bambu africano, a oxytenanthera abyssinica, que é usado para construir casas e fabricar móveis.

O MSB representa por isso "um fio de otimismo e esperança para as gerações futuras, para nossos filhos e os filhos de nossos filhos, que assim poderão conhecer plantas que, se não fossem conservadas, teriam desaparecido", concluiu o cientista.

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