Banco do Sul deverá ser lançado no segundo semestre, diz ministro venezuelano

O Banco do Sul já é uma realidade e deverá ser lançado no segundo semestre deste ano, afirmou nesta quarta-feira o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro. O chanceler venezuelano afirmou que o documento de fundação do banco foi finalizado durante a reunião dos ministros de Economia da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), realizada na última segunda-feira, em Caracas.

BBC Brasil |

"Estamos seguros de que, no segundo semestre deste ano, o Banco do Sul começará as operações", afirmou Maduro, logo depois de uma reunião bilateral com o chanceler argentino, Jorge Taiana, em Buenos Aires, nesta quarta-feira.

O banco deverá ser inaugurado com um capital de US$10 bilhões, US$ 3 bilhões a mais do que foi acordado no ano passado.

Deste novo total, US$6 bilhões serão injetados em partes iguais por Brasil, Argentina e Venezuela. O restante será complementado em parcelas de US$ 100 milhões por Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai.

Depois de oito meses de impasse, os países-membros concordaram em uma fórmula que delimita o poder de decisão de cada país para a aprovação de empréstimos, problema que até agora havia impedido a consolidação do banco.

A posição do Brasil era de que os votos dos países que mais aportassem capital no banco deveriam ter maior peso nas decisões.

Essa proposta foi rejeitada principalmente pelo Equador, que teria argumentado que essa prática é a mesma aplicada pelo Banco Mundial.

O Equador saiu em defesa da equação um país, um voto, independentemente do aporte financeiro destinado à instituição.

Segundo uma fonte diplomática ouvida pela BBC Brasil, a solução para esta queda-de-braço foi definida em Caracas, na segunda-feira, por meio de uma "fórmula consensual que contempla as duas posições".

O banco irá prever dois tipos de empréstimo, um "simples" e outro "complexo", com patamares de financiamento diferenciados.

Para os empréstimos "simples", bastará a aprovação de uma maioria simples (51%) dos votos do Conselho Diretor.

Para os projetos "complexos", no entanto, deverá ser aplicada uma fórmula combinada, com a aprovação de dois terços do Conselho Diretor, mais os votos de 66% do capital acionário do banco. Neste caso, Brasil, Argentina e Venezuela exercerão maior peso na decisão final.

Essa metodologia, de acordo com a fonte diplomática, será finalizada em maio, durante uma reunião técnica que será realizada em Buenos Aires, para, entre outros detalhes, definir o teto de empréstimos da modalidade "simples".

Isso porque os países de economias menores defendem um limite de empréstimo mais elevado, de fácil aprovação.

A cautela viria dos ministros da Fazenda do Brasil e Argentina, que defendem a aprovação de um "patamar saudável" e menos arriscado para o banco.

O Banco do Sul terá como foco principal o financiamento de projetos de desenvolvimento em infraestrutura e de integração comercial e energética, tanto para o setor público como o privado.

A instituição financeira é uma iniciativa lançada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com a qual ele pretende fazer frente aos organismos multilaterais de financiamento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (Bird).

No final do ano passado, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Manaus, o presidente venezuelano chegou a defender a criação do banco como uma alternativa regional à crise financeira internacional.

O ministro de Finanças da Venezuela, Ali Rodríguez, afirmou na última terça-feira que "o Banco exercerá um papel fundamental no fortalecimento dos aparelhos produtivos de seus integrantes".

Depois da reunião técnica em Buenos Aires, o documento deverá ser apresentado durante uma cúpula dos chefes de governo da Unasul, em um ato oficial de fundação do Banco do Sul.

Em seguida, o projeto será levado aos respectivos Congressos para a aprovação final.

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