Banco da Escócia sofre maior prejuízo da história empresarial britânica

O Royal Bank of Scotland (RBS) anunciou nesta quinta-feira que sofreu um prejuízo líquido de 24,1 bilhões de libras (cerca de US$ 34,2 bilhões) em 2008 - a maior perda anual na história empresarial da Grã-Bretanha. O banco confirmou ainda que pretende colocar o equivalente em 325 bilhões de libras (aproximadamente US$ 463 bilhões) de ativos tóxicos em um programa que oferece seguro contra prejuízos futuros, mantido pelo governo britânico.

BBC Brasil |

A entidade ainda avisou seus funcionários para se prepararem para o que chamou de "grande" corte de pessoal.

O RBS quase foi à falência em setembro por causa da crise econômica global e foi socorrido pelo governo britânico com 20 bilhões de libras vindas do contribuinte. Hoje cerca de 60% de suas ações pertencem ao Estado.

O presidente do RBS, Philip Hampton, atribuiu o prejuízo à "turbulência sem precedentes" dos mercados financeiros e à piora das condições econômicas em todo o mundo.

"Devemos a continuidade da nossa independência ao governo britânico e ao contribuinte, e somos muito gratos pelo apoio deles", afirmou.

Boa parte do prejuízo se deveu a uma desvalorização das 16,2 bilhões de libras ligadas à compra do banco holandês ABN Amro, em 2007.

Recentemente, outros grandes bancos internacionais anunciaram perdas em 2008. O americano Citigroup teve um prejuízo líquido de US$ 18,72 bilhões, enquanto o Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, confirmou perda líquida de cerca de US$ 5 bilhões, o primeiro prejuízo anual registrado pela entidade desde a Segunda Guerra Mundial.

O RBS também anunciou nesta quinta-feira que ainda deve receber do governo mais 13 bilhões de libras e terá outros 6 bilhões de libras à disposição, se for preciso.

O novo diretor-executivo do banco, Stephen Hester, afirmou que, a entidade vai sofrer uma grande reforma interna, para tentar atingir a meta de cortar custos em 2,5 bilhões por ano.

Segundo ele, uma das medidas será separar o banco em dois "braços", agrupando as ações e operações mais arriscadas.

Muitas das filiais internacionais terão suas operações reduzidas ou serão simplesmente vendidas em 36 dos 54 países em que o banco atua.

Hester também falou em corte de vagas, sem contudo dar um número preciso.

Mas há relatos de que o RBS deve demitir 20 mil funcionários.

O anúncio do RBS ocorre em meio a um grande debate gerado pela notícia de que o ex-diretor-executivo do banco, Fred Goodwin, já está recebendo uma aposentadoria de 650 mil libras (cerca de US$ 972 mil) anuais, aos 50 anos de idade.

O novo diretor, Stephen Hester disse que a aposentadoria de Goodwin fez parte de um acordo legal do qual o governo participou.

Mas o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, disse que advogados do governo estão tentando ver o que pode ser feito para conseguir de volta parte ou a totalidade da aposentadoria.

"Não se pode justificar esse tipo de excesso quando se tem um fracasso desta magnitude", afirmou Darling. "O próprio Goodwin poderia resolver o assunto se voluntariando."

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