Ban visita Chile e anuncia melhorias na ajuda humanitária

Concepción (Chile), 6 mar (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou hoje a cidade chilena de Concepción, uma das mais devastadas pelo terremoto de uma semana atrás, e anunciou que informará a comunidade internacional sobre a situação do Chile para coordenar e melhorar o envio da ajuda humanitária.

EFE |

"Me rportarei à Assembleia Geral das Nações Unidas e discutiremos com a comunidade internacional de que maneira a ONU pode ajudar e mobilizar a assistência humanitária", disse Ban em Concepción, capital da região de Bío-Bío, a 500 quilômetros ao sul de Santiago.

Acompanhado do chanceler chileno, Mariano Fernández, e a secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, Ban Ki-moon percorreu a chamada "zona zero" de Concepción, no centro da cidade, e reiterou o compromisso da ONU com o país.

"Sua gente ajudou o Haiti quando eles precisaram, agora é o momento de a comunidade internacional ajudar o povo chileno", afirmou o secretário-geral.

Ban se reuniu com o intendente (governador) regional, Jaime Tohá, e com os comandantes militares responsáveis pela cidade, e percorreu as áreas mais afetadas pelo terremoto de 8,8 graus na escala Richter ocorrido em 27 de fevereiro.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da ONU disse se sentir "muito impressionado" com as consequências do tremor e avaliou positivamente a "liderança" da presidente chilena, Michelle Bachelet, e de seu sucessor, Sebastián Piñera, para superar a catástrofe.

"Estou convencido de que, com coragem e determinação, (os chilenos) serão capazes de construir um novo futuro", disse Ban, que transmitiu ao povo chileno sua "solidariedade e esperança".

Ban lembrou que participou nesta sexta-feira do começo da campanha de doações pela televisão "Chile ayuda a Chile" ("Chile ajuda o Chile", em tradução livre), uma iniciativa solidária para arrecadar fundos.

"Vi que o povo do Chile está muito unido e, quando há unidade, há futuro e esperança", afirmou.

O chanceler chileno fez especial insistência na contribuição de US$ 10 milhões anunciada ontem por Ban Ki-moon, montante que permitirá a aquisição de itens necessários para os próximos meses, como agasalhos.

O chefe da diplomacia chilena assegurou que Ban "quer ser um defensor" do país e de seus interesses após a catástrofe, como o demonstra o relatório que será apresentado na próxima quarta-feira durante a Assembleia Geral da ONU.

Enquanto Ban Ki-moon visita o país, a ajuda internacional continua chegando sem parar ao Chile. Para hoje, está prevista a chegada de aviões militares de Estados Unidos, Rússia, China, Colômbia e Espanha.

"A ajuda internacional está se comportando de uma maneira extraordinária", disse Fernández, o qual acrescentou que "nenhuma ajuda que não seja estritamente a necessária" está sendo recebida.

O chanceler anunciou que as necessidades de ajuda mudaram com o passar dos dias e que os telefones por satélite e as equipes de resgate deixaram de ser prioridade.

"Hoje em dia, a prioridade de ajuda internacional é para tendas e albergues para os próximos dias, particularmente nesta região, onde temos um inverno habitualmente muito rigoroso", explicou.

As réplicas do terremoto continuam atemorizando a população, enquanto os serviços básicos se restabelecem de forma gradual nas regiões sacudidas pelo tremor.

Durante a madrugada e na manhã deste sábado, foram registrados dois sismos de 5,1 e 4,7 graus na escala Richter no litoral da região de Bio-Bío.

Outra réplica de 4,5 graus sacudiu a cidade de Concepción justamente quando Ban Ki-moon estava reunido com autoridades da região. No entanto, segundo Fernández, o secretário-geral da ONU não notou o ocorrido.

O fornecimento de energia elétrica também volta aos poucos. Entre a região de Valparaíso e a de Los Lagos, faixa que abrange as áreas mais afetadas, 91% dos lares já têm eletricidade.

A Superintendência de Serviços Sanitários informou que 91,2% dos clientes dispõe de água pelas redes estabelecidas, enquanto 8,1% da população recebe o fornecimento por outras vias.

No entanto, a região de Bío-Bío continua com graves carências.

Apenas a metade dos lares tem água potável e dois terços contam com eletricidade. EFE frf-gs/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG