Ban viaja até Mianmar para pedir aumento da ajuda a vítimas de ciclone

Nações Unidas, 20 mai (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi hoje a Mianmar para se reunir com o chefe da Junta Militar daquele país, o general Than Shwe, e pedir um aumento da assistência aos sobreviventes do ciclone tropical Nargis.

EFE |

"Este é um momento crítico para Mianmar, aonde só chegou ajuda para 25% dos atingidos", o que equivale a um número entre 1,6 e 2,5 milhões de pessoas, disse Ban, em declarações à imprensa antes de iniciar a viagem.

Ban confirmou que, na próxima quinta-feira, se reunirá com o general Than Shwe e viajará até Yangun, à zona destruída do rio Irrawaddy e, depois, voltará à antiga capital birmanesa para se reunir "com os líderes da Junta Militar e outros representantes do Governo".

A passagem do "Nargis" pelo sul de Mianmar causou, segundo a ONU, mais de 100 mil mortos e, aproximadamente, 2,5 milhões de desabrigados, embora as autoridades birmanesas só reconheçam 77.738 mortos e 55.917 desaparecidos.

"É meu dever mostrar solidariedade ao povo e às autoridades birmanesas neste momento de crise e desafio", ressaltou Ban, insistindo em checar pessoalmente a situação nas áreas mais afetadas e se reunir com o pessoal de assistência humanitária da ONU e das ONGs que ali trabalham.

Ban calculou as perdas provocadas pelo "Nargis" chegam a mais de US$ 10 bilhões e advertiu que a demora nas plantações somaram mais problemas aos causados pelo desastre natural.

Sua visita ao país asiático terminará no próximo domingo, com a participação na conferência internacional de países doadores, a ser realizada em Yangun, na busca de recursos para a reconstrução do país.

O objetivo dessa reunião, apoiada pela ONU e pela Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês), segundo o próprio Ban, é "buscar assistência financeira para dar uma resposta humanitária internacional dia das urgências atuais".

O secretário-geral da ONU criticou a atuação da Junta Militar birmanesa com seus próprios cidadãos, por conta da lenta distribuição de assistência depois do desastre, assim como na concessão de vistos para os profissionais estrangeiros.

França, Reino Unido e Estados Unidos também criticaram com dureza o auxílio prestado pelo Governo birmanês, que concede à conta-gotas os vistos de entrada a trabalhadores estrangeiros.

Ban ressaltou que apesar do Governo birmanês ter aceitado mais vôos humanitários e concedido mais vistos, ainda é uma fração do que é preciso na realidade. Há navios da França, do Reino Unido e dos EUA parados na costa birmanesa com produtos que não podem ser descarregadas.

"O Conselho de Segurança está fugindo de sua responsabilidade de salvar vidas ao não insistir que Mianmar aceite a ajuda oferecida", disse o diretor para a Ásia da Human Right Watch, Brad Adams.

Ele lembrou que já ocorrem surtos de cólera e de doenças respiratórias nos acampamentos pelas más condições higiênicas e a falta de água potável. EFE emm/rb/plc

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