Ban quer melhor coordenação na ajuda a Haiti e pede mais soldados

Elena Moreno. Nações Unidas, 18 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje ao Conselho de Segurança o envio de mais 3.

EFE |

500 soldados ao Haiti para melhorar a segurança e a coordenação da ajuda ao país, devastado por um terremoto na semana passada.

"O mais importante agora é como coordenar de maneira efetiva e coerente toda a ajuda internacional, e fazer tudo sem que se desperdice tempo e ajuda", afirmou Ban, após fazer o pedido ao principal órgão de decisões da ONU.

Do total de 3.500 soldados pedidos, o secretário-geral da ONU quer que 1.500 sejam de forças policiais (67% mais que o nível atual) e dois mil de militares (30% mais), por um período de seis meses.

A Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) conta na atualidade com 8.965 militares e policiais, 482 civis estrangeiros, 1.247 locais e 213 voluntários.

Antes da tragédia, o Brasil tinha 1.266 militares no Haiti. O Exército brasileiro informou que pelo menos 16 militares do país que participavam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.

O embaixador da China na ONU, Zhang Yesui, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho de Segurança, disse que os países já trabalham para dar uma resposta rápida ao pedido do secretário-geral.

A solicitação "tem dados bem fundamentados", como disse à Agência Efe o embaixador do México perante a ONU, Claude Heller. Segundo o diplomata, "em princípio há acordo" para dar sinal verde a esse pedido, o que poderia ser formalizado "o mais tardar amanhã".

O México foi um dos países que solicitou à Presidência chinesa uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para abordar a situação do Haiti.

"A reunião foi muito oportuna para revisar o nível de danos e a necessária assistência internacional", disse Heller, que insistiu na necessidade de que a distribuição da ajuda que chegou maciçamente de muitos países seja feita sob condições de segurança e estabilidade básicas.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Haiti vive uma caótica situação desde então e já houve ações de saque e pilhagem perante a falta de policiais e pelo atraso na distribuição de ajuda humanitária.

Cerca de três mil militares e policiais da Minustah, junto ao que restou da Polícia Nacional haitiana, supervisionam a segurança de Porto Príncipe, onde pelo menos 300 mil pessoas teriam ficado sem lar, segundo números das Nações Unidas.

Ban ressaltou também que a comunidade internacional apoia que a ONU seja o principal coordenador da ajuda. "Temos que tentar estabelecer um mecanismo para fazer essas tarefas de maneira mais estruturada", afirmou.

O secretário-geral destacou que o aumento das forças internacionais de paz é necessário "para desbloquear os gargalos" na distribuição de ajuda e "para enfrentar o maior desafio, que é o da coordenação".

Segundo o diplomata mexicano, o próximo sinal verde do Conselho de Segurança a esse pedido "reafirma que o papel de coordenação da ONU é central e que é feito em estreito contato com o Governo haitiano".

"O México coloca que em um segundo momento, uma vez finalizada esta etapa de emergência ainda com as vítimas, a ONU deverá revisar sua estratégia integral de apoio ao Haiti e eventualmente o papel de Minustah", declarou Heller à Efe.

Ao falar da visita que fez no domingo a Porto Príncipe, Ban apontou que a situação do Haiti era "sombria e assustadora" e que o país todo está devastado. "Este é o pior desastre humanitário que a comunidade internacional enfrentar em várias décadas", frisou.

No entanto, indicou que apesar do sofrimento generalizado da população, é possível ver no rosto das pessoas paciência e vontade de superar as dificuldades. EFE emm/rr

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