Ban pede união no combate à mudança climática

Elena Moreno. Nações Unidas, 22 set (EFE).- O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu hoje união na luta contra a mudança climática e a aprovação do acordo de Copenhague, e ressaltou a participação de centenas de governantes na cúpula.

EFE |

"Peço aos líderes dos países industrializados que deem o primeiro passo. Se estes fizerem, os demais o farão. Às nações em desenvolvimento, peço que acelerem seus esforços", disse Ban na abertura da conferência mundial que reúne 192 países.

Usando um tom firme e enérgico, Ban advertiu que o fracasso de um acordo em Copenhague será um acarretará um prejuízo moral, será uma decisão economicamente míope e pouco sábia, politicamente.

Ao pedido de unidade de Ban, aderiu imediatamente o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em seu primeiro discurso na ONU, fez um chamado apaixonado para conseguir o acordo na capital dinamarquesa e evitar o classificou de catástrofe irreversível.

Obama, no entanto, não ofereceu propostas concretas já que apesar de seu Governo ter mudado de posição com relação ao problema, o Congresso, centrado agora na reforma da saúde, não votará a legislação prevista a esse respeito até 2010.

As negociações sobre a mudança climática que acontecerá em Copenhague, em dezembro, que estão sendo encaminhadas e devem substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012, até agora avançaram em um ritmo lento.

"As grandes geleiras do mundo desaparecem mais rápido que os progressos humanos para protegê-los", lamentou Ban.

Mais uma vez, a solução para um problema global expôs as diferenças entre países industrializados e em desenvolvimento, já que não existe consenso sobre como será a redução das emissões de gases poluentes produtores do efeito estufa.

Além disso, os países menos desenvolvidos querem que os mais ricos financiem os esforços para reduzir as emissões, principalmente as de dióxido de carbono.

"Eles tem que deixar de serem líderes nacionais para serem globais e cumprir com as necessidades de seus povos", recomendou Ban, quem também pediu aos mesmos líderes que instruam os negociadores a resolver os assuntos centrais e acelerar as negociações, além de apresentarem ofertas ambiciosas.

Ban sugeriu que no lugar de pedirem concessões uns aos outros, as nações deveriam descobrir de que maneira podem contribuir para um bem maior. "Um acordo bem-sucedido em Copenhague significará maior prosperidade, segurança e eqüidade", definiu.

Participam da reunião de cúpula os líderes dos maiores poluidores do planeta como os Estados Unidos e a China, responsáveis respectivamente por 20% das emissões, assim como os 27 países da União Europeia (UE), que emitem 14% dos gases, seguidos pela Rússia e Índia, com 5% cada uma.

Da China, o presidente Hu Jin-tao propôs reduzir até 2020 a margem de emissões de dióxido de carbono.

Hu, que discursou após Obama, não apresentou números concretos, mas insistiu de que o compromisso deve ser de todos os países.

O novo primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, disse que o país vai reduzir em 25% as emissões até 2020, com relação aos níveis de 1990, e insistiu que a mudança climática requer respostas globais e as nações em desenvolvimento têm também de reduzir os gases, para melhorar o crescimento e aliviar os níveis de pobreza.

Por sua vez, o presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs à comunidade internacional a criação de um Tribunal de Justiça climático, como instância de investigação permanente a Governos e empresas que contaminam o ambiente.

Além disso, a diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Josette Sheeran, enfatizou que a mudança climática tem um efeito multiplicador das crises, em um momento em que o mundo enfrenta difíceis situações financeiras e alimentícias que atingem os mais pobres. EFE emm/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG