Ban pede saída de 200 que trabalharam na eleição afegã

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que a entidade quer substituir mais da metade das principais autoridades eleitorais que trabalharam no primeiro turno das eleições no Afeganistão. Ban disse à BBC que 200 pessoas - de mais de 400 autoridades - que teriam sido cúmplices de fraude no primeiro turno não deveriam trabalhar nas eleições, para garantir que o segundo turno, no dia 7 de novembro, seja transparente e com credibilidade.

BBC Brasil |

Em Nova York, Ban disse na terça-feira que a ONU aprendeu uma "lição bastante dolorosa" com a fraude no pleito no país.

"Nós percebemos que é difícil para uma democracia jovem ficar de pé sozinha, mesmo com grande ajuda internacional, particularmente da ONU", disse Ban à BBC.

Negociação
Para garantir que os erros não se repitam, ele disse que a ONU aconselharia a Comissão Eleitoral Independente, que organiza o pleito, a não chamar novamente as autoridades envolvidas na fraude.

"Nós temos que trocar todas as autoridades que estiveram comprometidas em não seguir as normas ou os que foram cúmplices de processos fraudulentos", disse o secretário-geral.

"Nós também vamos tentar visitar todos os postos de votação para se certificar que nenhuma fraude possa acontecer."
O secretário-geral negou que ONU tenha tentado acobertar as fraudes no primeiro turno. Ele disse que a entidade não tentou esconder o assunto, mas sim, achar a melhor forma de lidar com ele.

"Nós deixamos claro para o governo afegão e para o Conselho de Segurança, que houve uma fraude que queremos corrigir", disse.

"Nós realmente queremos dar a oportunidade para todo o povo afegão para que eles possam votar para eleger o seu próximo líder."
A notícia de que haverá segundo turno foi bem recebida por líderes ocidentais. O presidente americano, Barack Obama, disse que é "fundamental que todos os elementos da sociedade afegã continuem se unindo para que a democracia, a paz e a Justiça avancem".

O primeiro-ministro, Gordon Brown, parabenizou o presidente afegão, Hamid Karzai, por sua decisão digna de um chefe de Estado.

Os resultados iniciais do primeiro turno sugeriam que Karzai obteve 55% dos votos, contra 28% de seu principal rival, Abdullah Abdullah.

Com a recontagem, muitos votos foram anulados, e Karzai ficou abaixo dos 50%.

Na terça-feira, a Comissão Eleitoral Independente, que organiza as eleições, acatou as conclusões da Comissão para Queixas Eleitorais, um painel com apoio da ONU que detectou as fraudes.

Existe ainda a possibilidade de o segundo turno não acontecer, caso Karzai e Abdullah fechem um acordo para formar um governo de unidade.

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