Ban pede restauração da ordem dos mercados financeiros internacionais

Elena Moreno. Nações Unidas, 23 set (EFE) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje na 63ª Assembléia Geral da ONU que é preciso restaurar a ordem dos mercados financeiros internacionais, pois esse desastre econômico ameaça todos os avanços alcançados em matéria de desenvolvimento. O impacto que a atual crise financeira pode ter no desenvolvimento e o sombrio panorama econômico dominaram hoje os discursos na ONU. Ban afirmou em seu discurso perante os representantes dos 192 países que assistem à assembléia que o mundo enfrenta hoje uma crise financeira global, de energia e de alimentos, além da ameaça da mudança climática, e pediu aos presentes que superem os desafios. A máxima preocupação da ONU é que os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que pretendem reduzir a pobreza à metade até 2015, entre outros aspectos enfrentados pelas economias mais fracas, se transformem em uma meta inalcançável. Eu lhes peço que nos digam o que farão e como farão para que tenhamos sucesso em 2015, disse Ban, já pensando na reunião dedicada exclusivamente às conquistas dos ODM prevista para quinta-feira e na qual antecipou que apresentará um estudo mostrando que é possível conseguir cumprir com os objetivos. Já o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, se pronunciou a favor do fortalecimento da ONU, com a qual teve relações difíceis, mas que, neste momento, vê como uma instituição mais necessária e que precisa ser fortalecida de mo...

EFE |

Quanto às turbulências econômicas geradas a partir da crise americana e que se estenderam entre as economias dos países mais ricos, Bush assegurou aos governantes mundiais que seu país já adotou "medidas audazes para fazer frente" à situação.

Ele ainda expressou sua confiança de que o plano de resgate, avaliado em US$ 700 bilhões e um dos de maiores dimensões na história, será aprovado no Congresso.

Mais contundente foi o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que defendeu a adoção de sanções aos responsáveis pela crise financeira e pediu uma "reconstrução do capitalismo" que impeça novas situações desse tipo.

Sarkozy considerou que os chefes de Estado e de Governo dos países mais diretamente afetados "devem se reunir antes do fim do ano para tirarem juntos as lições da crise financeira".

A finalidade seria acertar medidas para enfrentar e prevenir crises financeiras como as que afetam os mercados globais.

O presidente francês ressaltou à imprensa que as economias mais desenvolvidas "são claramente mais responsáveis que os países em desenvolvimento" pela atual situação, e, por essa razão, as principais potências econômicas devem ser as responsáveis por encontrar uma solução.

Para o presidente da Assembléia Geral da ONU, o ex-chanceler nicaragüense Miguel D'Decoto, é preciso deixar de lado as declarações de boas intenções e aplicar "medidas corretoras" que substituam o individualismo e o egoísmo dominantes pela solidariedade.

"Um pequeno grupo de países toma decisões baseadas em motivos egoístas e os pobres do mundo sofrem as conseqüências", denunciou D'Decoto.

Ele descreveu, além disso, um panorama desolador com problemas como as desigualdades, a fome, a pobreza, a crise alimentícia, o aquecimento global, o terrorismo e a situação palestina, crises "criadas pelo homem" e decorrentes em parte da falta de democracia nas Nações Unidas.

"O mundo chegou a um ponto no qual não tem alternativa: ou amamos uns aos outros, ou todos pereceremos", declarou. EFE emm/ab/db

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