Ban pede mudança de estratégia no Afeganistão

Nações Unidas, 4 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu hoje uma mudança de estratégia no Afeganistão para os próximos meses que permita melhorar a grave situação de segurança e reformar as criticadas instituições do país.

EFE |

Em relatório enviado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral da ONU assegura que as polêmicas eleições presidenciais de agosto passado "são um retrato do que não foi possível no Afeganistão", oito anos depois da invasão americana que derrubou o regime talibã.

"Se não forem corrigidas as tendências negativas, se corre o risco de que a deterioração generalizada da situação se torne irreversível, o que não se pode permitir", assegura Ban no documento enviado aos 15 membros do principal órgão executivo das Nações Unidas.

Além disso, considera necessária "uma mudança de mentalidade" no Governo afegão e na comunidade internacional para unir esforços e dar maior atenção aos assuntos prioritários, como o desenvolvimento.

Ban também defende a criação de uma estrutura vigiada pela ONU que coordene os esforços internacionais e sugere que a Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), sob o comando da Otan, nomeie um representante civil para assuntos políticos e de desenvolvimento.

Essa estrutura de coordenação internacional deve manter, na sua opinião, vínculos com o Governo afegão para preparar uma futura transferência de responsabilidades.

Para isso, Ban aponta que Cabul deve se comprometer a iniciar a reforma de suas instituições, assim como a definir prioridades no âmbito da segurança e do desenvolvimento.

O secretário-geral reconhece em seu relatório que as eleições presidenciais de agosto passado, das que saiu reeleito Hamid Karzai e que foram manchadas por denúncias de fraude, absorveram uma grande quantidade de "energia política" e contribuem para o "ambiente pessimista" de Cabul.

"Encontramo-nos em uma situação crucial, e não podemos seguir da mesma forma se quisermos vencer no Afeganistão", assinala.

De qualquer forma, Ban ressalta no relatório que é "incorreto" considerar um fracasso a reconstrução institucional do Afeganistão por causa das polêmicas eleições, e assegura que não "é uma razão para abandonar o que foi conseguido".

O enviado especial da ONU para o Afeganistão, Kai Eide, deve comparecer esta semana perante o Conselho de Segurança para informar sobre o trabalho da missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) e analisar a complicada situação no país. EFE jju/rr

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