Nova Délhi, 23 mai (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou hoje um campo de deslocados no Sri Lanka, onde fez um apelo à reconciliação nacional após a vitória do Governo sobre a guerrilha tâmil.

Acompanhado do ministro de Assuntos Exteriores, Rohitha Bogogallama, Ban visitou durante uma hora e meia o campo de deslocados de Manik Farm, na província de Vavuniya (norte).

Depois, o diplomata sobrevoou de helicóptero as regiões do nordeste mais afetadas pelos combates das últimas semanas, podendo ver de perto as condições de parte dos 300 mil civis que, segundo a ONU, estão alocados nos campos do Governo.

Embora as autoridades tenham prometido devolver os civis a seus lugares de origem antes do fim do ano, as organizações de ajuda denunciam que não têm livre acesso às instalações, chamadas pelos rebeldes tâmeis de "campos de concentração".

Desde a noite de ontem no Sri Lanka, o secretário-geral da ONU viajou ao país para pedir ao presidente Mahinda Rajapaksa que inicie um processo de diálogo, acomodação e reconciliação com a minoria tâmil.

E parte dessa estratégia, segundo o diplomata, passa por acelerar o retorno dos deslocados a suas casas, que ficam localizadas nas áreas em que a etnia tâmil tinha mais presença e onde a guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, em inglês) era mais ativa.

Até agora, as agências da ONU reclamavam que o Governo cingalês vinha impedindo a oferta de ajuda e socorro nos campos, o que faz alguns setores temerem pelo bem-estar dos deslocados, sobretudo porque mais de 6,5 mil morreram em combates desde janeiro deste ano.

"Agora que as longas décadas de conflito terminaram, é hora de os cingaleses curarem as feridas e se unirem, sem se importarem com a identidade étnica ou religiosa" uns dos outros, afirmou Ban numa nota divulgada assim que chegou à ilha.

No comunicado, o secretário, que ainda hoje deixa o país, fala sobre a necessidade de as agências da ONU terem livre acesso aos campos para atender às "urgentes necessidades humanitárias" dos deslocados.

Mas a grande dúvida está em saber se o Governo do Sri Lanka dará os passos prometidos para integrar ao país a minoria tâmil após décadas de luta insurgente e de discriminação por parte da dominante etnia cingalesa.

"Pedirei ao Governo e a todos os elementos da sociedade que tomem passos poderosos e imediatos para um processo de diálogo, acomodação e reconciliação. As velhas inimizades devem ser superadas", disse Ban no comunicado.

"O mundo estará vigilante", acrescenta o texto, que lembra a promessa de Rajapaksa feita no Parlamento de defender direitos iguais para todos.

Rajapaksa garantiu à minoria tâmil que a vitória militar não acarretaria em discriminações. Mas isso não impediu que o escritório da ONU para os Direitos Humanos tenha pedido uma investigação para determinar se o Exército cometeu crimes de guerra.

A ONU estima que 6,5 mil civis morreram em combates desde janeiro, mas esse número não inclui as vítimas do confronto final, travado nas últimas semanas numa pequena faixa litorânea, onde dezenas de milhares de civis eram usados como escudos.

"Alguns (em referência a outros Estados) estão ameaçando me levar para os tribunais internacionais. Mas não me importo de ir à forca tendo derrotado os piores terroristas do mundo", disse Rajapaksa num discurso público feito neste sábado.

No começo da semana, o Exército cingalês aniquilou a cúpula da guerrilha tâmil e deu por terminada o conflito, surgido em 1983.

Embora as tropas tenham publicado imagens do suposto cadáver do líder dos tâmeis, Vellupillai Prabhakaran, os guerrilheiros dizem que ele continua vivo, embora não tenham apresentado prova disso.

O chefe do Exército cingalês, Sarath Fonseka, afirmou que o corpo do líder rebelde foi incinerado e suas cinzas jogadas no ar.

"Estamos num momento definitório da história do Sri Lanka. Um longo e terrível conflito terminou. Agora é hora de a nação se unir para construir uma paz justa e duradoura", disse Ban ao chegar ao país. EFE daa/sc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.