Paris, 22 jan (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reivindicou hoje aos países da comunidade internacional uma coordenação forte e eficaz sob a liderança da ONU para a gestão da crise humanitária no Haiti.

"Cada nação, cada organização de ajuda internacional no mundo inteiro se mobilizou para ajudar o Haiti. Nosso trabalho é enviar esta ajuda", explicou Ban Ki-moon em um artigo publicado hoje pelo jornal francês "Le Monde".

Dessa forma, Ban reafirmou que a comunidade internacional deve assegurar que a ajuda é recebida "pelas pessoas que têm necessidade, o mais rápido possível", e indicou que não se podem "guardar recursos essenciais em estoques nos armazéns".

"Não temos tempo a perder nem dinheiro para desperdiçar. Isto exige uma coordenação forte e eficaz. Os países da comunidade internacional devem trabalhar juntos e com a liderança das Nações Unidas", pediu o secretário-geral.

Ban Ki-moon comentou que a ONU trabalha em "estreita colaboração" com os Estados Unidos, Europa, América Latina e outros países a fim de "identificar as necessidades humanitárias mais urgentes" e agrupá-las por "setores bem definidos", para que os esforços das organizações sejam complementares, e não redundantes.

O líder da ONU elogiou o trabalho feito até o momento, apesar de ressaltar que nestes casos "a ajuda nunca chega muito rápido".

Ele explicou que o Programa Mundial de Alimentos (PAM) trabalha com o Exército americano para abastecer diariamente cerca de 200 mil pessoas, quantidade que deve aumentar para 1 milhão nas próximas semanas, chegando a até 2 milhões.

Além disso, anunciou que não será suficiente reconstruir o país que o Haiti era antes do terremoto, mas será preciso reconstruir o Estado para que tenha lucros a longo prazo, para que no futuro possa criar empregos e não dependa da "generosidade internacional".

Em relação ao que viu em Porto Príncipe, Ban Ki-moon constatou o estado catastrófico que ficou a sede da ONU e ouviu os testemunhos dos sobreviventes.

"Nos piores desastres, há esperança", apontou o secretário-geral da ONU, que afirmou que além das "horríveis" imagens também viu "uma demonstração do espírito humano" com "uma extraordinária capacidade de resistência".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, disse que o número de mortos superará 100 mil.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE vm/sa

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