Elena Moreno. Nações Unidas, 23 set (EFE).- Os líderes mundiais começaram hoje os debates da 64ª Assembleia Geral da ONU com o pedido do secretário-geral, Ban Ki-moon, para agir de forma imediata e conjuta para enfrentar problemas como a pobreza ou resolver conflitos como os da Somália, Afeganistão e da Faixa de Gaza.

Ban lembrou aos chefes de Estado e de Governo, chanceleres e embaixadores dos 192 países presentes à Assembleia Geral da ONU seu dever de garantir o cumprimento dos direitos humanos.

"Nenhum país, pequeno ou grande que seja, pode violar impunemente os direitos de seus cidadãos", afirmou.

O secretário-geral pediu a todos para que "atuem unidos nos propósitos e na ação" contra as crises que ameaçam o mundo, como a pobreza, a pandemia da gripe A e a falta de alimentos, assim como para solucionar os conflitos existentes na África, na Ásia e no Oriente Médio, entre outros.

"Se alguma vez houve um momento para renovar o espírito do multilateralismo e criar uma ONU de autêntica ação coletiva, é agora. O povo espera uma resposta de nossa parte", disse o responsável pela ONU.

Ban falou também sobre as repercussões da crise econômica entre os pobres, pois a recessão fez com que mais 100 milhões de pessoas passassem a viver na pobreza. Por isso, disse que "em vez de focos verdes de recuperação, o que há são bandeiras vermelhas de perigo".

O secretário-geral antecipou que em setembro de 2010 haverá uma cúpula especial sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), faltando cinco anos para alcançar, sem um previsível êxito, a data fixada para reduzir a pobreza no mundo pela metade.

"Um novo mundo é um imperativo político e moral", afirmou, por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no discurso que abriu o dia na Assembleia Geral da ONU, no qual reivindicou "agências internacionais mais democráticas e representativas" para enfrentar os problemas atuais.

Depois de Lula, subiu à tribuna o presidente americano, Barack Obama, que falou na Assembleia Geral da ONU pela primeira vez e propôs uma "nova era de cooperação".

"Chegou o momento de adotar uma nova era de aproximação baseada nos interesses mútuos e no respeito mútuo, e esta tarefa deve começar já", disse Obama.

Outro que defendeu o multilateralismo foi o novo presidente da Assembleia Geral, o ex-ministro de Assuntos Exteriores da Líbia, Ali Treki, o qual ressaltou que este é o único método prático para encarar os desafios atuais, desde a mudança climática, até a extrema pobreza, passando pelo desarmamento e pelas crises alimentícias e energéticas.

"O multilateralismo é a forma de abordar os problemas comuns e a única via para assegurar uma ação coletiva e efetiva", disse Treki em seu discurso.

Menos adepto dos protocolos da Assembleia Geral da ONU, o líder líbio, Muammar Kadafi, discursou por quase duas horas em sua primeira participação neste fórum.

Em discurso crítico e errático, Kadafi chamou o Conselho de Segurança da ONU de "antidemocrático" e pediu a transferência de seus poderes à Assembleia Geral, na qual todos os membros da organização estão representados.

Além disso, o líder líbio acusou os cinco membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) de serem os responsáveis pelos conflitos que deixaram "milhões de mortos" após a Segunda Guerra Mundial.

"Estes países recorrem à guerra e desfrutam do poder de veto.

Começaram guerras que custaram a vida a milhões de pessoas", afirmou Kadafi em seu discurso, durante o qual mostrou e leu em várias ocasiões uma pequena cópia da Carta das Nações Unidas.

Seu longo discurso atrasou as falas dos demais governantes, da mesma forma que o almoço que Ban tradicionalmente oferece aos presentes.

Agora à noite na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país está disposto a participar da construção de uma "paz e segurança duradoura" no mundo e a "aproximar as mãos honestas".

Ahmadinejad também defendeu o programa nuclear do Irã, posto novamente em xeque por Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha, ao mesmo tempo em que ressaltou que tem "um dos Governos mais progressistas e democráticos do mundo". EFE emm/bba

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