Nações Unidas, 5 nov (EFE) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje que viajará para Nairóbi para assistir à cúpula da União Africana (UA) que, na sexta-feira, debaterá o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC).

Em coletiva de imprensa, Ban destacou que deve se reunir na cúpula com o presidente da RDC, Joseph Kabila, e o de Ruanda, Paul Kagame, para "incentivá-los a encontrar o caminho à paz".

"Estou em contato telefônico diário com vários líderes mundiais para trabalhar em uma solução ao conflito", assinalou o principal responsável das Nações Unidas.

Nigéria, Senegal e Tanzânia, através de seus Governos, convocaram uma cúpula especial de emergência em Nairóbi para debater o conflito do leste da RDC, onde mais de 200 mil pessoas foram deslocadas de seus lares nos últimos dias devido a uma ofensiva dos rebeldes tutsis liderada por Laurent Nkunda.

Após ocupar boa parte de Kivu Norte e expulsar o Exército governamental, os guerrilheiros tutsis declararam um cessar-fogo na quarta-feira e situaram suas linhas a sete quilômetros de Goma, a capital da província.

Nkunda ameaçou tomar Goma se o Governo de Kabila não negociar diretamente com eles, mas o Executivo descartou iniciar conversas com os rebeldes.

Ban disse que tem a intenção de incentivar o Governo de Kinshasa a "dialogar com quem for, incluído Nkunda".

"Conversarei com o presidente Kabila", ressaltou o secretário-geral da ONU.

A recusa do Governo aumentou a tensão e representa um perigo para o precário cessar-fogo em Kivu Norte, onde a Missão da ONU para o Congo (Monuc) não pôde cumprir sua incumbência de manter separadas as tropas governamentais e os rebeldes.

Os responsáveis da missão de paz pediram ao Conselho de Segurança da ONU o envio de reforços para enfrentar uma crise que pode causar um novo conflito regional.

O Governo congolês acusa Ruanda de ajudar os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) liderados por Nkunda, enquanto Kigali considera que Kinshasa protege em seu território os remanescentes das milícias hutus que cometeram o genocídio de 1994. EFE jju/db

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