Ban: Objetivos de Desenvolvimento do Milênio precisam de injeção de energia

Nações Unidas, 25 set (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou hoje os avanços no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), mas afirmou que o ritmo é lento e reivindicou dos líderes mundiais uma injeção de energia e de generosidade em tempos de crise financeira.

EFE |

"Há oito anos neste mesmo lugar foram traçadas metas ambiciosas para libertar a humanidade da fome, do analfabetismo, das doenças ou da degradação ambiental, mas, apesar de seguirmos na boa direção, não é suficiente", declarou Ban durante a abertura dos debates para avaliar o andamento dos ODM.

Ele afirmou aos líderes mundiais que a atual "crise financeira ameaça o bem-estar de bilhões de pessoas, sobretudo dos pobres entre os pobres, e isto se acrescenta pelos elevados preços dos alimentos e da energia".

Aprovados em 2000, os ODM pretendem erradicar a pobreza extrema e a fome, conseguir a educação primária universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil, combater a aids, fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento, melhorar a saúde materna e garantir o desenvolvimento sustentável, até 2015.

As atuais turbulências financeiras que surgiram nos EUA e que contagiam as economias de outros países ricos são vistas como uma ameaça à capacidade destas nações poderosas para manterem seus compromissos financeiros com a ajuda ao desenvolvimento, o que acabaria enfraquecendo ou tornando inalcançáveis os Objetivos do Milênio.

Para evitar esta situação, Ban pediu aos líderes "uma injeção de energia em favor da cooperação global para o desenvolvimento" e que sejam "generosos" com seus compromissos financeiros.

Sobre a assistência internacional falou o presidente da Assembléia Geral, o nicaragüense Miguel D'Escoto.

Lembrou aos países doadores o compromisso de fornecer 0,7% do Produto Interno Bruto global para este fim, assim como que para cada dólar destinado à ajuda dedicam US$ 10 para seus orçamentos militares.

Em 2005 os países se comprometeram a fornecer US$ 50 bilhões em ajuda para o desenvolvimento, mas três anos depois os doadores apresentaram apenas 22,7 bilhões, segundo informações da ONU.

"O gasto até agora na Guerra do Iraque teria pago a escola primária para todas as crianças e jovens do mundo não escolarizados", declarou D'Escoto, que afirmou que o preço de um míssil é suficiente para construir 100 escolas em qualquer país de América Latina, África ou Ásia.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, afirmou que esta reunião "acelerou o trabalho para alcançar os objetivos" e calculou que neste dia serão anunciadas novas contribuições para o financiamento do desenvolvimento por cerca de US$ 8 bilhões.

Brown disse que outros líderes lhe comunicaram que anunciarão suas novas doações na reunião que a ONU realizará de 29 de novembro a 2 de dezembro em Doha (Catar) para revisar o Consenso de Monterrey sobre o financiamento do desenvolvimento.

"Hoje, o mundo tem mais consciência de que enfrentamos uma emergência em matéria de desenvolvimento e isto permite que países tradicionalmente não doadores agora apresentem contribuições", declarou Brown.

O Primeiro-ministro anunciou que o Reino Unido se compromete a doar US$ 1 bilhão nos próximos 3 anos em apoio aos planos nacionais de saúde de oito países, que não especificou.

Brown afirmou isto durante a apresentação de uma iniciativa para evitar a morte no parto de 10 milhões de mulheres e recém-nascidos de países pobres no espaço de sete anos.

Por outro lado, o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, se mostrou preocupado com "os efeitos secundários para o mundo em desenvolvimento do trauma que estamos vivendo".

Afirmou que a crise dos mercados financeiros pode ter como conseqüência para os países em desenvolvimento um menor crescimento pela desaceleração da economia global e que aumente a possibilidade de que os países mais ricos podem se ver tentados a reduzir suas contribuições para o financiamento do desenvolvimento.

Instituições internacionais e países buscam também a participação de empresas, entre as quais já estão a Microsoft, de Bill Gates.

"Esta é minha avaliação: estou apaixonado pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que são uma das melhores idéias para lutar contra a pobreza que vi em minha vida", declarou Gates em sua intervenção na reunião.

Ele reconheceu também que apesar de o progresso em algumas das oito metas ser "decepcionante", esta decepção não pode se transformar em "desalento".

"Certamente não é perfeito, mas estou em desacordo com aqueles que somente se centram na decepção e tentam atribuir culpabilidades", declarou. EFE emm/fal

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