Ban Ki-moon visita região devastada por terremoto na China

Pequim, 24 mai (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou hoje à província sudoeste chinesa de Sichuan, epicentro do devastador terremoto de 12 de maio que pode ter deixado 80 mil mortos, segundo o Governo chinês.

EFE |

Ban visitou a área devastada para expressar sua solidariedade aos desabrigados pelo terremoto de 8 graus de magnitude na escala aberta de Richter, o pior na China desde 1976, com mais 60 mil mortos, 24 mil desaparecidos e cerca de 300 mil feridos, informou a agência de notícias "Xinhua".

O secretário-geral viajou em um helicóptero até a localidade de Yingxiu, uma das mais castigadas pelo terremoto no distrito de Wenchuan, onde foi registrado o epicentro de sismo, e se uniu no local ao primeiro-ministro Wen Jiabao, que visita pela segunda vez a região após a catástrofe.

Wen disse que o número real de mortos pode superar os 80 mil, à medida que acabam as esperanças de encontrar os 24 mil desaparecidos com vida.

Ban prometeu hoje que mobilizará a ONU para apoiar nas tarefas de reconstrução da região, que podem durar mais de três anos.

Segundo a "Xinhua", a linha de trem que liga Baoji a Chengdu (capital provincial) foi reaberta hoje, o que está permitindo a chegada de material de emergência.

O secretário-geral da ONU chega à China após uma visita a Mianmar (antiga Birmânia), onde a passagem do tufão "Nargis" deixou quase 78 mil mortos, e outras 56 mil pessoas seguem desaparecidas.

Ao contrário do que ocorreu em Mianmar, onde o regime militar se fechou ao exterior e pôs em risco a vida de seus cidadãos, a China manteve uma transparência incomum sobre o terremoto.

Além disso, o Governo chinês permitiu pela primeira vez a entrada de equipes de ajuda humanitária internacional em uma catástrofe em seu território, com a chegada de especialistas da Rússia, Coréia do Sul, Japão, Cingapura e Cuba.

As autoridades locais pedem ainda a doação de barracas para abrigar os milhões de desabrigados pelo terremoto.

Mais de cinco milhões de pessoas perderam suas casas em Sichuan, e as autoridades locais tentam com urgência fornecer a elas um teto provisório antes do início da temporada de chuvas.

A temporada de chuvas representa um novo risco para estes milhões desabrigados, e milhares de trabalhadores cavam canais para drenar a água que se acumula e que ameaça inundar povoados inteiros na província de Sichuan, situada aos pés dos montes Himalaia.

O terremoto gerou o desabamento de diversas escolas da região, o que fez com que pelo menos 12% dos mortos sejam crianças e professores, provocando a ira da população local contra a corrupção no setor da construção.

Além disso, foram detectadas 15 "fontes de radiação" na região, segundo especialistas da Administração de Segurança Nuclear do Ministério de Proteção Meio Ambiental.

Em entrevista coletiva, o vice-ministro de Proteção Meio Ambiental chinês, Wu Xiaoqin, assinalou na sexta-feira que 50 potenciais fontes de radiação foram soterradas por toneladas de escombros após o terremoto, e que 15 delas se encontram inacessíveis. EFE mz/mh

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