Ban Ki-moon usa Fórum Econômico para pedir ajuda para Gaza

Virginia Hebrero. Davos (Suíça), 29 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aproveitou hoje o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, para pedir à comunidade internacional que doe com urgência centenas de milhões de dólares para ajudar na reconstrução da Faixa de Gaza.

EFE |

Ban e o vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, disseram que são necessários US$ 613 milhões para ajudar um milhão e meio de pessoas no território palestino, devastado por três semanas de ofensiva militar israelense, na qual morreram mais de 1.300 palestinos, entre eles muitas crianças e mulheres, e cerca de 5.300 ficaram feridos.

Deste valor, só foram cobertos até o momento US$ 80 milhões, por isto apelaram para a generosidade dos doadores para alcançar os US$ 533 milhões restantes.

"Durante minha recente visita a Gaza (logo que o frágil cessar-fogo foi declarado) dei minha palavra ao povo palestino de que as Nações Unidas e eu mesmo faríamos todo o possível para os ajudar. Peço então à comunidade internacional que me ajude a cumprir minha promessa", declarou Ban em entrevista coletiva.

O secretário-geral lembrou como se sentiu comovido pelo sofrimento da população civil. "Como pai de três filhos me senti especialmente impressionado por tantas famílias rompidas, pela falta de alimentos, medicamentos, água corrente, eletricidade e pelas casas destruídas", declarou.

Segundo a avaliação realizada por uma missão liderada por Holmes e integrada por dezenas de organizações das Nações Unidas e ONGs, grande parte dos fundos solicitados, US$ 128 milhões, serão destinados a oferecer casas para aqueles que as perderam.

Um total de 21.000 casas (13% do total) ficaram destruídas ou gravemente danificadas, enquanto "milhares de pessoas ficaram sem nenhum acesso a alimentos ou a serviços básicos de água, saneamento ou saúde", indica esta avaliação.

Porém, tanto Ban Ki-moon como Holmes destacaram que para poder realizar com sucesso a missão de assistência à reconstrução é imprescindível que "todos os postos de cruzamento" para Gaza estejam abertos "sem restrições, de forma permanente, sistemática e constante".

Holmes deixou claro que não valem variações sobre o que pode entrar por cada passagem fronteiriça nem sobre aberturas e fechamentos.

Ban disse que a situação humanitária em Gaza é muito grave, além das três semanas de ofensiva, pois o território palestino já sofria um bloqueio de Israel desde um ano e meio antes.

"Entendemos as necessidades de segurança de Israel, mas não à custa da solução das necessidades humanitárias", declarou Holmes.

Sobre se haverá coordenação com as autoridades do Hamas para aplicar todo o programa, Holmes afirma que "tratar com o Hamas do ponto de vista humanitário não tem significado político, é simplesmente a realidade no terreno".

O secretário-geral da ONU afirmou que "toda a comunidade internacional, incluída Israel, deve participar da reconstrução", mas se recusou a atribuir mais responsabilidade a este país, pois "a assistência humanitária não deve entender de política".

Ban criticou indiretamente a emissora britânica "BBC" por ter se negado a divulgar um pedido de ajuda a Gaza alegando imparcialidade.

"A 'BBC' é a única que decide sua linha editorial. Eu daria as boas-vindas a qualquer passo que ajude a financiar uma necessidade humanitária", declarou.

O pacote de ajuda internacional preparado pela equipe humanitária da ONU para Gaza deverá ser acompanhado de um cessar-fogo mais permanente, não como o atual, cuja fragilidade ficou demonstrada nos últimos dias com alguns incidentes.

Também disse que deve acontecer uma reconciliação entre os palestinos, pois "só assim poderá ser possível a reconstrução".

Quanto às denúncias de violações do direito humanitário internacional cometidas por Israel durante a ofensiva, Ban reiterou sua indignação pelos bombardeios a sedes da ONU e disse que deveria ser feita uma investigação independente.

Holmes, por outro lado, negou algumas informações que apareceram na imprensa sobre que o Hamas teria roubado parte da ajuda humanitária. "Não tivemos nenhum incidente deste tipo", declarou.

EFE vh/fal

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