Ban Ki-moon se preocupa com o ritmo atual do derretimento das geleiras

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou grande preocupação nesta terça-feira com o ritmo atual de derretimento das geleiras no Ártico, durante visita à base científica de Ny Alesund, no arquipélago norueguês de Svalbard, a cem dias da cúpula de Copenhague sobre o clima.

AFP |

Dirigentes de todo o mundo têm "responsabilidade política moral" para preservar o futuro do planeta, afirmou Ban.

"Estou extremamente alarmado e surpreso de ver essas geleiras em tão mau estado", declarou a jornalistas o secretário-geral da ONU durante um encontro com a comunidade científica de Ny-Aalesund, em pleno coração do Ártico.

"Se não tomarmos medidas urgentes para represar este fenômeno, poderemos ser privados deste gelo até 2037, talvez mesmo em 2030 (...) é assustador, assustador", repetiu ele.

Foi a primeira vez que um secretário-geral das Nações Unidas foi a essa localidade, a mais setentrional do mundo, situada a apenas 1.231 km do Pólo Norte, afirmou à AFP Bendik Eithun Halgunset, assessor científico da Kings Bay, empresa que administra a base.

Ban, ex-ministro sul-coreano das Relações Exteriores, iniciou a visita na estação administrada por seu país na comunidade que se dedica exclusivamente à pesquisa científica.

Isoladas do restante do mundo, entre 15 e 180 pessoas, por temporadas, trabalham na base em diferentes campos, quase todos eles relacionados às mudanças climáticas (estudos atmosféricos, biologia terrestre e marinha, glaciologia, geodésia, oceanografia...).

Noruega, Alemanha, França, China, Índia, Coreia do Sul, Reino Unido, Holanda, Japão e Itália possuem instalações científicas em Ny Alesund, onde não há redes de telefonia móvel para não interferir no funcionamento dos instrumentos de medição.

Com esta visita de dois dias ao Pólo Norte, o secretário-geral quer sensibilizar a comunidade internacional a respeito do perigo das mudanças climáticas a 100 dias da cúpula de Copenhague, que ele considera "crucial".

Sob o patrocínio da ONU, essa cúpula tem como objetivo chegar a um acordo internacional destinado a substituir o Protocolo de Kyoto para a redução das emissões de gases do efeito estufa, consideradas responsáveis pelas mudanças climáticas.

"Um dos motivos mais importantes de minha visita à Noruega é ver com meus próprios olhos as dramáticas mudanças no Ártico e descobrir o que isto significa para a Humanidade", declarou Ban Ki-moon na segunda-feira em Oslo, antes de viajar para Svalbard.

Antes da cúpula de Copenhague, a ONU organizará um encontro internacional de alto nível em Nova York, no dia 22 de setembro, indicou Ban.

"Levarei na bagagem tudo o que aprendi" em Svalbard, disse.

Usando um agasalho vermelho e azul escuro do Instituto Polar Norueguês, para se proteger das baixas temperaturas, Ban também visitou nesta terça-feira a estação de Zeppelin, um centro de medição atmosférica situado no alto de uma colina próxima a Ny Alesund.

As condições meteorológicas comprometeram o restante da visita. Por causa da chuva, Ban segue em uma ambarcação da guarda costeira, e não em helicóptero, como estava previsto, para o navio de pesquisas norueguês "Lance", que estuda o banco de gelo.

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