O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao mundo que permaneça vigilante e alerta ante a gripe suína que registrou, até esta terça-feira, quase 10.000 casos, com mil pessoas contagiadas nas últimas 24 horas, especialmente no México e nos Estados Unidos.

Em pronunciamento ante representantes dos 193 Estados membros que participam da assembleia geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Genebra, Ban afirmou que "ainda não sabemos até onde chegará, a que velocidade vai se propagar, qual será a gravidade da infecção e quantas pessoas vão morrer".

Em relação à doença, a OMS informou nesta terça-feira um aumento de mais mil casos desde segunda-feira, com 9.830 contaminados em 40 países, incluídos 79 mortos.

A maior parte dos novos contágios aconteceram, principalmente, no México (545 diagnosticados) e nos Estados Unidos (409).

"A OMS não baixou a guarda", congratulou-se Ban ao destacar que "ainda exigem muitas perguntas sem resposta sobre o vírus" da gripe suína.

"Como demostraram pandemias anteriores, a situação pode evoluir por fases; a uma moderada poderá seguir outra menos", preveniu Ban, que anteriormente visitou junto com a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, o "SHOC", ou o quartel-general subterrâneo de onde a organização coordena a resposta internacional contra o vírus A(H1N1).

A OMS resiste no momento à pressão de declarar como pandemia a propagação da gripe suína, apesar da crescente ansiedade no continente americano e na Ásia, especialmente no Japão, onde as autoridades assinalaram nesta terça-feira 178 casos e ordenaram o fechamento de mais de 4.000 estabelecimentos escolares.

O secretário-geral da ONU também considerou "suicida" o corte dos investimentos no setor da saúde por causa da crise econômica mundial.

"Reduzir os investimentos com a saúde numa época de recessão seria não apenas moralmente inaceitável, mas suicida, do poto de vista econômico", declarou.

Ban voou a Genebra na última hora desta segunda-feira para participar da assembleia anual da OMS e reunir-se com dirigentes de 30 dos principais grupos farmacêuticos de 19 países industrializados que debatem o desenvolvimento de uma vacina contra a gripe suína.

A OMS organizou a reunião para avaliar o custo de uma vacina e sua disponibilidade, sobretudo nos países pobres e subdesenvolvidos, que já sofrem com 85% das enfermidades crônicas do planeta.

Durante o encontro, a organização apresentou um documento - do qual a AFP obteve uma cópia - estimando a possibilidade de fabricação de 5 bilhões de doses de vacinas por ano, ao ser lançada a produção em grande escala. O ritmo de produção seria de 94,3 milhões de doses por semana.

Quanto a uma futura vacina, o gigante farmacêutico suíço Novartis afirmou nesta terça-feira ter recebido o vírus A(H1N1) e estar à espera da ordem da OMS para lançar a produção de vacinas.

A produção das vacinas começaria no momento em que se passasse ao nível de alerta máximo, o 6. Chan manteve na segunda-feira o nível de alerta 5 decretado no dia 29 de abril.

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