Londres, 28 jan (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu hoje um enfoque civil para a paz e a reconciliação no Afeganistão, no qual não sobressaiam apenas as considerações militares e de transferência da segurança.

Durante seu discurso na abertura da conferência sobre o Afeganistão, em Londres, Ban ressaltou a importância de "proteger a população civil" e reconhecer que, "embora a segurança seja o elemento central da estratégia, não precisa ser o único objetivo".

O principal responsável das Nações Unidas enumerou os elementos que devem cimentar a estabilização do país - segurança, boa gestão, combate à corrupção, integração regional e cooperação com os países vizinhos - e pediu à comunidade mundial a mensagem que "o compromisso com o Afeganistão é a longo prazo".

O Governo de Cabul também deve assumir sua responsabilidade, acrescentou Ban, que considerou que o desafio de Karzai é "como transferir todos seus compromissos à vida real dos afegãos".

Sobre a ONU, ressaltou que "continua comprometida até que seja necessário, para reforçar a coordenação e os vínculos com todos os atores afegãos", que têm "uma responsabilidade compartilhada para construir instituições responsáveis e sustentáveis".

A ONU anunciou, às vésperas da conferência, que retirou cinco ex-altos cargos talibãs incluídos em uma lista de afegãos vinculados à Al Qaeda, o que, a partir de agora, permitirá que eles viajem para fora do país e recuperem bens e ativos congelados.

Este passo busca aproximar os talibãs a uma eventual negociação com o Governo, com a condição prévia de que renunciem à violência e a seus vínculos com a Al Qaeda e outras redes terroristas que operam no Afeganistão e nos países vizinhos.

Ban Ki-moon expressou também seu apoio à criação de um fundo de reinserção, aceito pela primeira vez pelos Estados Unidos, para aqueles combatentes insurgentes que quiserem se reintegrar na sociedade civil, cujos detalhes podem ser decididos na conferência em Londres. EFE fpb/an

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