Ban Ki-moon pede ao mundo rapidez na ajuda ao Paquistão

Secretário-geral da ONU visita, neste domingo, áreas afetadas por inundações. O último balanço da organização aponta 1.600 mortos

AFP |

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Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, à esquerda, conversa com o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, desembarcou neste domingo no Paquistão, onde pediu à comunidade internacional mais rapidez no envio de ajuda aos 20 milhões de afetados pelas inundações, a pior catástrofe natural da história do país.

A ONU fez um pedido de US$ 460 milhões de ajuda urgente às vítimas, em particular às seis milhões de pessoas mais vulneráveis, mas já advertiu que serão necessários mais recursos a longo prazo para reconstruir as casas, infraestruturas e retomar as plantações devastadas pelas águas.

Ban Ki-moon desembarcou na base aérea militar de Chaklala pouco antes das 11h30 (3h30 de Brasília) e logo depois se encontrou com o primeiro-ministro do país, Yusuf Raza Gilani. A agenda inclui uma visita a um campo de refugiados em Multan, na província de Punjab.

Ele afirmou que viajou ao Paquistão para transmitir "o apoio e a solidariedade" das Nações Unidas com o povo e o governo do país, além de "ver o que mais é preciso fazer pelas vítimas". Ele afirmou ainda que fará um relatório da viagem esta semana à assembleia geral da ONU em Nova York.

"Também estou aqui para pedir à comunidade internacional que acelere a entrega de ajuda ao povo paquistanês. Tentaremos mobilizar toda a ajuda necessária, e lembrem que o mundo inteiro está por trás do povo do Paquistão neste momento difícil", completou.

Segundo as autoridades paquistanesas, quase 25% do país, que tem 800 mil km² e uma população de 167 milhões de pessoas, foi afetado pelas inundações que começaram há três semanas.

A catástrofe afetou primeiro o noroeste, uma região já muito abalada pela rebelião talibã e pela ofensiva do exército para combater os insurgentes. Em seguida, as águas inundaram as regiões mais ricas de Punjab (centro) e de Sind (sul), cruciais para a agricultura do país.

As agências humanitárias da ONU expressaram preocupação com a lentidão da entrega da ajuda, e temem como consequência uma segunda onda de mortes provocadas por doenças. As inundações deixaram 1.600 mortos, segundo a ONU. Islamabad confirmou 1.384 óbitos.

A ONU informou no sábado que um primeiro caso de cólera foi registrado em Swat (noroeste) e que pelo menos 36 mil pessoas sofrem com diarreias agudas.

"As inundações afetaram 20 milhões de pessoas e destruíram colheitas e estoques de alimentos que custavam bilhões de dólares, o que representa uma perda colossal para nossa economia", afirmou o primeiro-ministro no sábado.

Neste domingo, o clima era mais ameno. As autoridades informaram que não há previsão de novas inundações nos próximos dias e que o nível da água baixa aos poucos nos principais rios do país.

Em Sind, a cidade de Jacobabad (500 mil habitantes) estava praticamente deserta neste domingo: 90% dos moradores deixaram a localidade por medo de novas inundações. Em Punjab, milhares de habitantes que fugiram de Muzaffargarh, uma das cidades mais castigadas pelas inundações, começaram a retornar, segundo o governo local.

Veja imagens da destruição causada pelas chuvas no Paquistão:

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