Ban Ki-moon não irá à abertura dos Jogos de Pequim

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, não vai participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, marcada para 8 de agosto na capital chinesa. A porta-voz da ONU, Marie Mukabe, afirmou nesta quinta-feira que a decisão foi tomada meses atrás, devido a problemas de agenda.

BBC Brasil |

Segundo Mukabe, Ban "comunicou o governo (chinês) alguns meses atrás que talvez não pudesse aceitar o convite para comparecer a esse importante evento devido a problemas de agenda".

Isso significa que a decisão de Ban foi tomada antes dos protestos contra a dominação chinesa no Tibete, que começaram em março na capital tibetana, Lhasa, e posteriormente se espalharam para várias regiões da China.

Essas manifestações foram reprimidas duramente pelas forças de segurança chinesas.

De acordo com a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, a organização parece preocupada em não dar a impressão de que a ausência de Ban seja um boicote aos Jogos Olímpicos.

Tocha olímpica
Manifestações contra a China têm acompanhado o trajeto do revezamento da tocha olímpica, e há pressão para que líderes mundiais boicotem os Jogos de Pequim.

No final da tarde desta quinta-feira, a tocha olímpica chegou a Buenos Aires, única cidade da América do Sul prevista no roteiro de revezamento da chama.

O governo da capital argentina já anunciou um esquema de segurança que envolve 5,7 mil pessoas, incluindo 1,2 mil policiais federais, para a passagem da tocha nesta sexta-feira.

Ativistas argentinos afirmaram que seus protestos serão pacíficos, mas prometeram "surpresas".

A chama olímpica foi acesa em Olímpia, na Grécia, no dia 24 de março, em uma cerimônia também marcada por protestos de ativistas pró-Tibete.

A tocha deverá passar por um total 20 países até chegar a Pequim, no dia 8 de agosto, durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Até agora, apenas em duas cidades pelas quais a tocha passou, Almaty (Casaquistão) e São Petersburgo (Rússia), não houve protestos.

A passagem da tocha foi marcada por protestos em Atenas, Istambul, Paris, Londres e San Francisco.

Dalai Lama
Depois de deixar Buenos Aires, a tocha olímpica seguirá para a Tanzânia.

A ambientalista queniana Wangari Maathai, ganhadora do Nobel da Paz de 2004, disse em entrevista a emissoras de TV que não vai participar do revezamento da tocha por causa "dos eventos que estão se desenrolando no Tibete há muito tempo".

Maathai disse que apóia a realização dos Jogos na China, mas que gostaria "de ver um país que é desafiado, que está enfrentando esses desafios para o melhoramento do meio ambiente e do mundo de maneira geral".

Nesta quinta-feira, o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama (que vive no exílio em Dharamsala, no norte da Índia), afirmou que a China merece abrigar os Jogos Olímpicos, mas que os manifestantes têm o direito de se expressar sem violência.

Em Pequim, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, admitiu que os protestos realizados durante a passagem da tocha em diversas cidades provocaram uma "crise", mas disse os Jogos Olímpicos vão superar os problemas.

Rogge pediu que a China respeite seu "compromisso moral" de melhorar sua política de direitos humanos antes dos Jogos.

O governo chinês disse esperar que o COI se afaste do que classificou de "fatores políticos irrelevantes".

Segundo o governo chinês, o Tibete é parte da China e o que acontece lá é problema interno do país.

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