Ban Ki-moon mostra decepção com países que boicotam conferência sobre racismo

Genebra, 20 abr (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentou profundamente hoje o boicote de nove países à conferência sobre o racismo, e o fato de que tenham prevalecido as posições políticas, acima da unidade na luta contra a discriminação.

EFE |

"Lamento profundamente que muitos (países) tenham decidido se manter fora (do processo)", afirmou o secretário-geral, acrescentando: "estou profundamente decepcionado".

Ban Ki-moon inaugurou hoje a conferência, que sofre o boicote de Israel, Estados Unidos, Canadá, Itália, Austrália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia e Alemanha.

Os ausentes consideram que a conferência pode se transformar em um fórum antissemita, como denunciam que ocorreu na primeira reunião realizada na cidade sul-africana de Durban há oito anos, quando Israel foi acusado de ser um "Estado racista".

"Sonhamos em ir a uma nova direção, mas muitos se agarram ao passado. Falamos de buscar uma nova unidade, como os tempos demandam, mas seguimos fracos e divididos. Falamos de tolerância e respeito mútuo, mas apontamos com o dedo e realizamos as mesmas acusações hoje que há anos, senão décadas", acrescentou Ban.

A minuta, base para a declaração oficial que deve ser aprovada durante a conferência, não faz referência a Israel, nem aos territórios palestinos ocupados, mas menciona o Holocausto e a necessidade de não esquecê-lo.

"O documento é muito equilibrado e estabelece um marco concreto de ação em uma campanha global na busca da justiça para as vítimas do racismo no mundo", disse Ban.

A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, agradeceu expressamente a "flexibilidade" mostrada pelos palestinos e pelos países da Organização da Conferência Islâmica "em assuntos cruciais para eles".

"Invoquei repetidamente a plena participação dos Estados-membros da ONU e lhes pedi que não percam de vista que o objetivo da conferência é conseguir sociedades livres de discriminação. Esse objetivo deve ser superior às diferenças e reconciliar as diferentes perspectivas", afirmou Pillay, em seu discurso de inauguração.

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela - que mandou um discurso - se expressou da mesma forma, afirmando que "as divergências entre países são saudáveis, mas não deveriam paralisar os esforços da conferência" que definiu como "o melhor marco para combater a discriminação".

Enquanto isso, a Anistia Internacional (AI) lamentou hoje, em comunicado, o boicote dos países à conferência, comemorou o fato de o comitê preparatório ter alcançado um acordo sobre a minuta final e disse que "combater o racismo" exige "convicção e determinação".

"Os Governos precisam estar presentes para defender o justo e rejeitar com energia tudo o questionável", afirma a ONG, que faz uma chamada em seu comunicado a todos os Governos participantes da conferência para que continuem "comprometidos" com a mesma. EFE mh/an

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