O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu neste sábado, no Líbano, em seu pedido para um cessar-fogo em Gaza, argumentando que o nível de violência alcançado neste território palestino não tem precedentes.

Durante uma visita à Força Interina das Nações Unidas para o Líbano (FINUL), em Beirute, Ban assegurou que os bombardeios aéreos e as operações terrestres israelense contra objetivos do Hamas provocam um grande número de vítimas civis, importantes destruições e terríveis sofrimentos à população.

Ban afirmou ainda seu interesse em participar na cúpula internacional que será realizada neste domingo, em Sharm el-Sheikh, no Egito, para discutir o conflito em Gaza.

Anteriormente, em um discurso no parlamento libanês, Ban, que realiza um giro pela região, assegurou que as duas partes, Israel e Hamas, devem interromper os combates logo.

"Não podemos esperar que os detalhes e os mecanismos (de um possível acordo) sejam negociados e acertados enquanto civis continuam sendo traumatizados, feridos e mortos. Reclamamos um cessar-fogo imediato".

Ban também pediu ao movimento radical Hamas que cesse os disparos de foguetes contra o território israelense e exigiu do Estado hebreu que detenha sua ofensiva militar e se retire de Gaza.

Antes do discurso de Ban no parlamento, centenas de jovens se concentraram numa praça próxima e queimaram a foto do secretário-geral da ONU, em cujos olhos colocaram a bandeira israelense e americana.

Ban também se reuniu, em separado, com o presidente libanês Michel Suleiman, o primeiro-ministro Fuad Siniora, e com o chefe do parlamento, Nabih Berri.

Na quinta-feira, Ban Ki-moom afirmou que o elevado número de vítimas deixado pela ofensiva militar israelense na região atingiu 'proporções insuportáveis' e se declarou ultrajado com o bombardeio israelense contra as instalações da principal agência da ONU de ajuda aos palestinos em Gaza.

"Fiz saber que protesto firmemente e que estou escandalizado. Já pedi uma explicação detalhada ao ministro da Defesa e ao ministro das Relações Exteriores", declarou Ban à imprensa em sua visita a Tel Aviv.

Neste sábado, uma mulher e uma criança morreram no bombardeio israelense a uma escola administrada pelas Nações Unidas em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza, onde civis haviam buscado refúgio, indicaram fontes médicas e testemunhas.

Onze pessoas ficaram feridas no bombardeio, que causou um incêndio, segundo as fontes.

Intensos combates foram registrados em torno da escola, onde o Exército israelense, com o apoio de blindados, enfrentava ativistas palestinos, indicou.

Essa é pelo menos a quarta vez que uma escola administrada pela agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos em Gaza é alvo de um bombardeio israelense desde o início da ofensiva do Exército israelense contra este território palestino, no dia 27 de dezembro.

Em 6 de janeiro, um ataque israelense nas imediações de uma escola gerida pela ONU no norte da Faixa de Gaza deixou 43 mortos e mais de cem feridos, segundo fontes palestinas.

Israel indicou que suas forças revidaram ataques com tiros de morteiro provenientes da escola, antes de retificar essas declarações após um firme desmentido da ONU.

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