Nações Unidas, 14 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou hoje que são 22 os funcionários da organização mortos no terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou nesta terça-feira o Haiti e informou que 100 pessoas ainda são consideradas desaparecidas.

"Há 22 militares e policiais mortos", disse Ban durante uma entrevista coletiva, na qual também destacou que "ainda não se sabe nada sobre Hedi Annabi", o responsável da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), que está entre os desaparecidos.

O porta-voz da ONU Martin Nesirky afirmou que "há quatro policiais mortos e nove feridos, e outros 18 militares falecidos", e acrescentou que em breve serão divulgadas suas nacionalidades.

Ban acrescentou que as equipes de resgate "tentam encontrar mais sobreviventes. As primeiras 72 horas são essenciais para encontrar muitos desaparecidos, tal como indica a experiência de busca em desastres anteriores".

"Esperamos mais progressos para hoje", disse o secretário-geral da ONU, que qualificou de "pequeno milagre" que essas equipes recuperassem hoje entre os escombros o funcionário da organização Tarmo Joveer, um agente de segurança estoniano de aproximadamente 35 anos.

Ban reiterou sua mensagem de solidariedade para os haitianos e os familiares dos funcionários das Nações Unidas vítimas do terremoto na ilha caribenha.

Além disso, ressaltou que ainda não conseguiu se comunicar com o presidente do Haiti, René Préval, devido às deficiências no sistema telefônico, e que espera fazê-lo nas próximas horas.

O secretário-geral da ONU disse também que o secretário-geral adjunto para Operações de Paz e ex-responsável da Minustah, o diplomata guatemalteco Edmond Mulet, chegará ao Haiti nas próximas horas para se encarregar da missão e para coordenar a assistência internacional.

Também informou que pediu aos Estados Unidos que "proporcionem o máximo possível de helicópteros, engenheiros, material médico e remédios" para a assistência humanitária.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou pouco antes uma ajuda inicial de US$ 100 milhões em favor do Haiti, para onde também decidiu enviar a partir desta quinta-feira um contingente de 2,2 mil infantes de marinha, dos quais 100 poderiam chegar nas próximas horas.

Ban se referiu também à situação de segurança da capital haitiana, Porto Príncipe, onde atuam 3 mil capacetes azuis da Minustah, força comandada pelo Brasil.

"Mantém-se a ordem e a segurança. As forças de paz patrulham (na cidade), escoltam e auxiliam na distribuição da ajuda humanitária", assinalou.

Quanto à distribuição dessa assistência, o secretário-geral das Nações Unidas disse que ela está chegando principalmente por aviões, como as três aeronaves procedentes da França e outra da Venezuela.

"Também chegaram equipes de resgate da França, China, EUA e República Dominicana, assim como de outros países", acrescentou Ban, que se declarou satisfeito com os compromissos e provas de solidariedade aos haitianos feitas pela comunidade internacional.

Anunciou além disso, que o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, e seu representante especial para esse país, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, divulgarão amanhã o montante da ajuda financeira necessária para a recuperação da empobrecida ilha caribenha.

As agências especializadas da ONU, em coordenação com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, já enviam provisões e material de primeira necessidade ao país caribenho.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que na cidade de Jacmel, ao sul do país, distribuiu 2,5 mil kits de cozinha e 5 mil bolsas de um litro de água para que a população possa preparar a comida fornecida pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Também entregaram provisões no valor de US$ 500 mil para ajudar 10 mil pessoas, incluindo sais para reidratação oral que combatem casos de diarréias, pastilhas potabilizadoras de água, lona impermeável e tendas para tetos provisórios.

Espera-se que outro avião de carga aterrisse hoje com mais lonas, cobertores, kits de emergência, garrafões e outras provisões.

A Unicef indicou que, até o momento, proporcionou um total de US$ 3,4 milhões em outros recursos de emergência para ajudar as vítimas do desastre, mas ressaltou que necessita com urgência de mais fundos.

A cidade de Jacmel, informou essa entidade, "sofreu danos gravíssimos. As estimativas iniciais indicam que 20% das edificações está parcial ou totalmente destruídas" e há entre 4 mil e 5 mil pessoas refugiadas no aeroporto local.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Ontem, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor. EFE emm/sa

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